A Dreamworks embarca na onda de relançamentos em live action com um dos seus títulos de maior sucesso, Como Treinar o Seu Dragão. É a mesma história do primeiro filme, de 2010, que depois completou uma trilogia. O diretor é também o mesmo, Dean DeBlois, mas desta vez assumindo sozinho o roteiro adaptado do livro de Cressida Cowell. Curiosamente, Deblois dirigiu e escreveu (com Chris Sanders) o filme Lilo & Stitch (2002), cuja versão live action (sem sua participação) estreou em maio passado nos cinemas. Imagine, então, como Deblois deve estar atento à disputa pela bilheteria entre a Universal e a Disney.
Sinopse
Para quem não se lembra, ou não conhece, o enredo, fica aqui uma breve sinopse. A trama acontece na vila viking chamada Berk, que sofre com recorrentes ataques de dragões. O protagonista é Soluço, o narrador no filme, um garoto de 15 anos franzino que é um habilidoso ferramenteiro, mas que gostaria de ser um matador de dragões como o seu pai Stoico, o líder da aldeia, ou como a sua paixonite, a menina Astrid.
Durante um dos ataques de dragões, Soluço consegue acertar um dragão da rara raça fúria da noite com uma arma que ele criou. No dia seguinte, consegue encontrar o dragão ferido, porém, não tem coragem de matá-lo. Acaba, pelo contrário, por ajudar o animal, criando uma prótese para uma asa de sua cauda que se quebrou.
Enquanto ele vai treinando o seu novo amigo, que ganha o nome de Banguela, Soluço conhece mais sobre dragões, o que o faz ganhar uma competição entre jovens guerreiros. Porém, se afeiçoa aos dragões, principalmente quando descobre que eles são forçados por um dragão gigantesco que os obriga a buscar alimentos nas aldeias dos humanos.
Surge, assim, o grande conflito para Soluço: como convencer a vila que os dragões não são os inimigos?
A versão live action
O filme em live action possui algumas diferenças em relação ao original. Não se trata de uma refilmagem cena a cena, e por isso possui quase trinta minutos adicionais. Esse acréscimo de tempo atrapalha, dilui o drama, e faz alguns momentos emotivos previsíveis, porque é fácil sentir que os eventos estão levando para esses desfechos. Do lado positivo, o processo de treino de Banguela por Soluço vira cinema mudo, sem diálogos, com o desenvolvimento comunicado somente pelas imagens.
Tecnicamente, a mistura de animação com realidade funciona porque os dois formatos se aproximam. As animações – os dragões com exceção de Banguela – parecem os monstros que já surgiram em outras produções (como na série Game of Thrones). Em alguns momentos, lembra os filmes das franquias Jurassic Park e Jurassic World, com dragões no lugar de dinossauros. Enquanto isso, os atores recebem um banho de computação gráfica, ganhando feições que parecem um pouco com animações (como aqueles filmes que criam personagens a partir de atores reais – O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf, por exemplo, mas numa dose de transformação bem menos intensa). No caso de Banguela, que tem características mais cartunescas, para não destoar tanto, foi necessário que o protagonista Soluço ganhasse traços de animação mais fortes.
A mescla dá certo, e não temos aqui a impressão de pessoas contracenando com bonecos. Representa o preço a se pagar pela oportunidade de criar cenas visualmente impactantes, em especial os combates com dragões e o voo com o Banguela, talvez buscando aquele impacto que James Cameron causou na entrada do mundo fantástico em Avatar (2009). E é importante comentar sobre isso, pois no aspecto artístico, desconsiderando o financeiro, reside aí a justificativa para produzir uma refilmagem apenas 15 anos depois do original.
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Ficha técnica:
Como Treinar o seu Dragão | How to Train Your Dragon | 2025 | 125 min. | Reino Unido, EUA | Direção: Dean DeBlois | Roteiro: Dean DeBlois | Elenco: Mason Thames, Nico Parker, Gerard Butler, Julian Dennison, Gabriel Howell, Bronwyn James, Harry Trevaldwyn, Nick Frost, Ruth Codd.
Distribuição: Universal Pictures.



