Junto com O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010), Depois da Terra serviu para indicar que M. Night Shyamalan não era tão inquebrável quanto o personagem de Bruce Willis em Corpo Fechado (Unbreakable, 2000). Principalmente quando sai do gênero terror e suspense, suas especialidades.
Depois da Terra, além disso, parece um trabalho menos pessoal de Shyamalan. De fato, pertence mais a Will Smith do que a ele. Além de estrelar o filme ao lado de seu filho Jaden Smith, o astro escreveu a história, que depois foi adaptada pelo diretor e Gary Whitta.
Nesta ficção-científica, a Terra se tornou inabitável e os humanos partiram para o planeta Nova Prime. O veterano ranger Cypher Raige (Will Smith) leva o seu filho Kitai (Jaden Smith) numa expedição de rotina. Com planos de se aposentar, Cypher considera esta uma oportunidade de se aproximar do filho, com quem não se relaciona bem. Mas, um acidente faz dos dois os únicos sobreviventes no agora perigoso planeta Terra.
Cypher está imobilizado, gravemente ferido na perna. Portanto, a única chance de sobreviverem depende de Kitai, que precisa percorrer 100 quilômetros até alcançar a nave onde se encontra um sinalizador para pedir ajuda. O clima severo representa um dos desafios, pois à noite a temperatura se torna glacial. Além disso, animais selvagens habitam as florestas. Mas, o maior perigo é um voraz monstro alienígena que localiza as suas presas através do cheiro dos feromônios exalados pelo medo.
Shyamalan a serviço de Will Smith
Ao escrever uma história com forte mensagem sobre relacionamento entre pai e filho, Will Smith parece tentar repetir o sucesso Em Busca da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006), que foi outra parceria dele com Jaden. Em Depois da Terra, o que afastou seus personagens foi o fato de Kitai ter se mantido protegido dentro de uma bolha de plástico enquanto o monstro atacava sua irmã. Então, esta jornada pela sobrevivência na velha Terra é uma oportunidade para o garoto provar que pode enfrentar essa fera sem sentir medo dela, como o pai consegue.
A atuação de Will Smith é particularmente esquisita. Para demonstrar essa habilidade de não sentir medo, seu personagem nunca ri. Sua racionalidade seria tão dominante que ele até reprime seus sentimentos. Então, ele fica lá na cabine da espaçonave em destroços, dando as instruções para o filho remotamente, sem esboçar emoções, com um semblante exageradamente sério e impassível.
Shyamalan tenta injetar um pouco de terror, quando Kitai sonha e vê o rosto da irmã todo desfigurado. Um jump scare que funciona, mas não é suficiente para tirar o sono do espectador que vai perdendo o interesse durante o percurso do pequeno herói. Faltam momentos mais emocionantes nessa jornada. Até o confronto final com o monstro, Kitai enfrenta apenas animais selvagens e o frio – que poderiam até resultar em maiores conflitos, mas que na tela parecem inofensivos. Não é um filme mal-feito, mas é morno demais para um diretor que se notabilizou por arrepiar o público.
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Ficha técnica:
Depois da Terra | After Earth | 2013 | 100 min. | EUA | Direção: M. Night Shyamalan | Roteiro: M. Night Shyamalan, Gary Whitta | Elenco: Jaden Smith, Will Smith, Sophie Okonedo, Zoë Kravitz, Glenn Morshower, Kristofer Hivju, Sacha Dhawan.



