Diamante de Sangue consegue ser um filme-denúncia sem abdicar de sua força como entretenimento. Revela a origem criminosa dos diamantes que saíam da África e chegavam às mais sofisticadas vitrines do primeiro mundo.
Sua trama acontece em Serra Leoa, no ápice da guerra civil, quando o grupo rebelde Frente Revolucionária Unida (RUF) invade a capital Freetown e deixa milhares de mortes. Antes de chegar a esse clímax dramático, o enredo apresenta os personagens principais e o terrível cenário de violência que predominava no pequeno país no noroeste africano.
O trio protagonista
Solomon Vandy (Djimon Hounsou) é um pescador que tem sua vida pacata destroçada com a chegada da RUF à sua aldeia. Por ser forte e apto para trabalhar na mineração, ele escapa das mutilações, atrocidades que o filme corajosamente faz questão de mostrar. Prisioneiro escravizado, Solomon garimpa sob a vigilância de revolucionários armados. Quando encontra um grande diamante cor-de-rosa, ele se arrisca, em cena com muita tensão, e consegue esconder a valiosa pedra debaixo da areia nas margens do rio.
Em paralelo, o longa apresenta Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um rodado traficante de armas e diamantes. Preso enquanto tentava contrabandear algumas pedras escondidas em ovelhas, ele ouve na prisão que Solomon escondeu um diamante cor-de-rosa. Oportunista, assim que sai em liberdade, vai atrás dele. Durante o ataque da RUF a Freetown, Archer consegue convencer Solomon a se juntarem para ir atrás do diamante e da família do pescador. Porém, terão que enfrentar os rebeldes e o exército do governo.
Nessa jornada, os dois ganham a companhia da jornalista americana Maddy Bowen (Jennifer Connelly), que quer publicar uma reportagem sobre o esquema dos diamantes. Mais que um interesse romântico, ela será uma peça-chave para a transformação de Archer em uma pessoa mais humanizada. Além disso, ajudará Solomon a conseguir os contatos que precisa na Europa.
Solomon encontra sua esposa e suas duas filhas num campo de refugiados, porém, a RUF levou o seu filho para transformá-lo em um dos soldados do seu exército infantil. Dessa forma, o filme denuncia esta outra característica atroz da guerra civil em Serra Leoa.
O melhor de Zwick
O diretor Edward Zwick era conhecido por outros filmes de guerra – Tempo de Glória (1989) e Coragem Sob Fogo (1996) – além de outras grandes produções como O Último Samurai (2003). Mas, Diamante de Sangue é provavelmente seu melhor filme, não importa o gênero. Zwick trabalha um tema sério, mas constrói personagens interessantes e ainda insere emocionantes cenas de ação para evitar que o ritmo caia. Abre espaço para um pouco de poesia (a terra em Serra Leoa é vermelha por conta do sangue ali derramado, imagem que ilustra um dos momentos dramáticos do longa), e ainda deixa a provocação de que as pessoas não são boas ou ruins, mas podem fazer coisas boas ou ruins.
___________________________________________
Ficha técnica:
Diamante de Sangue | Blood Diamond | 2006 | 143 minutos | Estados Unidos, África do Sul, Moçambique | Direção: Edward Zwick | Roteiro: Charles Leavitt | Elenco: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Kagiso Kuypers, Arnold Vosloo, Michael Sheen | Distribuição: Warner Bros. Pictures.







