Lançamento da Prime Video, Dupla Perigosa (The Wrecking Crew) é um filme com muita ação e humor e certa dose de violência gráfica e referências sexuais (por isso, tem censura 16 anos). Seu maior chamariz de público está na dupla protagonista: os grandalhões Dave Bautista e Jason Momoa, que ficaram famosos dentro do universo Marvel. Eles encarnam, respectivamente, James e Jonny Hale, meios-irmãos por parte do pai, que não se veem há anos.
Quando o pai, um detetive particular, morre atropelado em circunstâncias suspeitas, os dois precisam se reunir para descobrir quem é o assassino. Acabam enfrentando a máfia japonesa e um milionário desonesto do local (a trama se passa no Havaí) que quer construir um cassino em terras do povo originário. Além disso, os dois irmãos demoram para se entender e até se enfrentam numa dura briga.
O roteiro cria dois protagonistas com personalidades opostas. James (Dave Bautista) mora no Havaí desde que nasceu e leva uma vida austera como militar da Marinha. Já Jonny (Jason Momoa) fugiu de um grupo mafioso havaiano e se mudou para Oklahoma, onde é um policial, mas está suspenso por conduta violenta. Diferente do irmão, Jonny é um malandrão que não leva nada a sério. Esse seu viés cômico serve até para uma referência irônica ao Aquaman que Momoa interpreta nos filmes da Marvel, quando ele quase morre afogado. Na investigação, os dois recebem a ajuda de Pika (Jacob Batalon, o amigo de Peter Parker nos novos filmes do Homem-Aranha), que trabalhava para o pai deles.
A direção
O diretor de Dupla Perigosa, o porto-riquenho Angel Manuel Soto, parece ter uma queda pelo Brasil. Em seu filme anterior, Besouro Azul (Blue Beetle, 2023), colocou Bruna Marquezine em um dos papéis principais. Desta vez, a brasileira no elenco é Morena Baccarin, que faz a namorada de Jonny, e fala expressamente sua nacionalidade, além de algumas palavras em português. Soto demonstra em Dupla Perigosa que evoluiu em relação às cenas de ação, a maior delas bem filmada.
Quando a Yakuza ataca Jonny em sua casa em Oklahoma, Soto emprega eficientemente vários planos filmados em diversas posições e montados de forma inteligível. Mas, a cena tem gritaria demais – não faz sentido os bandidos japoneses gritarem tanto, até quando atiram suas armas de fogo – o que atrapalha o clichê (manjado demais) da música romântica durante a luta violenta.
Pelo jeito, Soto contou com um orçamento generoso. É o que indica a grandiosa perseguição pela rodovia, que envolve um helicóptero e dezenas de carros. A ação intencionalmente cai no absurdo e na violência extrema, que soam empolgantes no ritmo aceleradíssimo dessa sequência.
Dois confrontos paralelos recheiam a conclusão do filme. Numa delas, Jonny enfrenta vários membros da Yakuza. Aproveitando a presença nipônica, Soto estiliza o cenário com luzes de led vermelhas, e a câmera se move lateralmente enquanto filma através da janela de vidro o protagonista atacando seus oponentes num corredor. A influência de Seijun Suzuki é diluída com a música rap e a gritaria. Em paralelo, acontece a luta entre James e o vilão Robichaux (Claes Bang), que não funciona tão bem, por se escura e confusa demais.
Dupla Perigosa vale uma sessão de Tela Quente, adequado ao valor que um lançamento em streaming deve oferecer.
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Ficha técnica:
Dupla Perigosa | The Wrecking Crew | 2026 | 124 min. | Nova Zelândia,Estados Unidos | Direção: Ángel Manuel Soto | Roteiro: Jonathan Tropper | Elenco: Jason Momoa, Dave Bautista, Temuera Morrison, Claes Bang, Jacob Batalon, Roimata Fox, Temuera Morrison, Frankie Adams, Stephen Root, Morena Baccarin, Miyavi, Lydia Peckham, Branscombe Richmond.
Distribuição: Amazon MGM Studios.



