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É Tempo de Amar

Avaliação:
5,5/10

5,5/10

Crítica | Ficha técnica

É Tempo de Amar (Le Temps d’Aimer), quarto longa da diretora costa-marfinense Katell Quillévéré, parece ter pressa em contar os muitos tristes eventos da vida sofrida da sua protagonista.

O enredo

Madeleine (Anaïs Demoustier) sofreu as punições sociais por ter se envolvido com um militar alemão durante a ocupação nazista na França. Deserdada pela família, mudou-se para longe de sua cidade para refazer a vida trabalhando em um restaurante para sustentar o filho Daniel, fruto do caso com o alemão, com quem ela nunca mais teve contato.

Madeleine conhece o estudante de arqueologia François (Vincent Lacoste). Em pouco tempo, casa-se com ele, sem saber que ele é gay. E, para piorar, o ex-namorado dele o persegue e o ameaça. Por isso, Madeleine, François e Daniel se mudam para uma cidade ocupada pelos americanos, onde ela trabalha numa casa noturna servindo bebidas. O filme acompanha os dramas de Madeleine até muitos anos depois, quando ela finalmente resolve a questão que sempre a colocou em conflito com seu filho Daniel. Desde pequeno, ele sempre quis conhecer o pai biológico. O ciclo da protagonista se encerra retomando a imagem da sua cabeça raspada. Na abertura do filme, que imita documentário, a cabeça raspada é uma das punições aos colaboracionistas; no final, é o efeito do tratamento de quimioterapia.

O maior problema de É Tempo de Amar está no fato de o enredo cobrir acontecimentos numerosos demais, resultando num ritmo frenético que não permite nenhuma pausa para reflexão – nem dos personagens nem do espectador. Sempre que uma situação se encaminha para alguma estabilidade, logo surge um fato novo que faz tudo desabar de maneira dramática. E olha que a duração do filme não é enxuta – pouco mais de duas horas. Mas, a decupagem erra ao permitir longas cenas que só servem para provocar sensações. A chegada dos protagonistas no bairro boêmio e as subsequentes apresentações musicais dentro de uma boate ilustram essa abordagem.

Pimenta americana

As sequências nesse bairro de ocupação americana trazem, por outro lado, os melhores momentos do filme. Isso porque entra na história o soldado negro Jimmy (Morgan Bailey). Há uma denúncia do racismo entre os militares (alguns clubes são frequentados só por brancos e outros só por negros), mas o roteiro não mergulha nessa discussão. De qualquer maneira, Jimmy apimenta a relação entre Madeleine e François (inexistente em relação a sexo, porque o marido é gay). O belo e desinibido rapaz se torna uma tentação para ambos. A coisa esquenta quando os três iniciam um ménage, indicando uma via mais interessante para a narrativa.

Contudo, o desfecho dessa sequência é um balde de água fria. Jimmy nunca mais aparece no filme, que se arrasta até o final conciliatório. Nem mesmo a tragédia no meio disso tudo consegue emocionar. Elipses gigantescas aceleram esse último terço que se concentra no conflito entre Madeleine e o já adulto Daniel (Paul Beaurepaire).

É Tempo de Amar, assim, desperdiça os dois ótimos atores principais (Anaïs Demoustier e Vincent Lacoste) e a produção de respeito, por causa de um roteiro que se perde ao tentar colocar eventos demais dentro de uma história, e por conta da direção que não conseguiu melhorar esse material no processo de decupagem.

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Ficha técnica:

É Tempo de Amar | Le Temps d’Aimer | 2023 | 122 min. | França | Direção: Katell Quillévéré | Roteiro: Katell Quillévéré, Gilles Taurand | Elenco: Anaïs Demoustier, Vincent Lacoste, Morgan Bailey, Hélios Karyo, Josse Capet, Paul Beaurepaire.

Ficha técnica:

Distribuição: Imovision.

Trailer:

Onde assistir:
Anaïs Demoustier e Morgan Bailey em "É Tempo de Amar"
Anaïs Demoustier e Morgan Bailey em "É Tempo de Amar"
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