Filhos

Poster de "Filhos" (divulgação/Mares)

Título original: Vogter

Direção: Gustav Möller

Ano de lançamento: 2024

Data de estreia no Brasil: 31/07/2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Filhos é o segundo longa do diretor norueguês Gustav Möller. Repetindo a parceria de sua estreia, o excelente Culpa (2018), ele escreve o roteiro junto com Emil Nygaard Albertsen. É uma história densa, que mescla drama e suspense num filme de prisão que vai muito além do exploitation.

Por se tratar de uma produção nórdica, podemos esperar uma abordagem dura sem concessões sobre o tema abordado. No caso, um amargo mergulho no sentimento de uma mãe que tem um filho com comportamento violento, inevitavelmente criminoso.

A lenta apresentação dessa situação é cercada de mistério. Leva 15 minutos até que a protagonista Eva (Sidse Babett Knudsen) fale uma frase completa. Até lá, o filme mostra sua rotina, que evidencia que ela está no cargo de agente carcerária há muito tempo, pois conhece bem os presos que estão na instituição onde trabalha.

A trama se inicia quando ela reconhece um dos novos presos. Os colegas percebem que ela parece abalada, mas Eva não diz nada. Só começa a conversar numa reunião a sós com o diretor da prisão. E mente para conseguir uma transferência para a ala de segurança máxima, onde está esse novo interno, que se chama Mikkel (Sebastian Bull).

Psicanálise

O filme oferece uma perspectiva incomum para o espectador. Não busca a empatia com a protagonista, que seria o caminho mais usual. No lugar dessa abordagem emocionalmente mais apelativa, poderia optar pelo distanciamento crítico que levaria a uma posição julgadora. Nada disso, o que o diretor Gustav Möller provoca é a análise psicanalítica.

Portanto, apesar de segurar a revelação durante boa parte do enredo, não existe uma intenção de usá-la para surpreender. Acima de tudo, saber que Mikkel assassinou brutalmente o filho de Eva na prisão engaja a compreensão do comportamento que a personagem adota a partir dessa confirmação.

No início, a vingança de Eva se resume a mesquinharias. Ela joga fora a correspondência que ele recebe, se recusa a entregar os cigarros dele, ignora o seu pedido de ir ao banheiro. Depois, reagindo a um ato de fúria dele, passa a tentar incriminá-lo falsamente. Esse é seu grande erro, pois a partir daí se coloca numa posição fragilizada, pois Mikkel pode prestar queixa e ela ser presa.

Desesperança

A direção de Gustav Möller contribui para que o público sinta o peso dessa situação de confronto em um ambiente tão brutal quanto o de uma penitenciária. Justifica-se, assim, o uso da câmera na mão, trêmula, e da fotografia escura, repleta de luzes amarelas ao redor. Repetindo o que fez em Culpa, Möller recorre à pausa longa – no filme anterior, quando se mantém por bastante tempo na reação do protagonista; neste, na extensa duração da tela preta.

Além disso, quase sempre a câmera capta Eva de perfil, mantendo a posição de observador do espectador. Numa notória exceção, o plano e contraplano com a protagonista e a mãe de Mikkel trocando olhares à mesa marca o momento crucial do enredo. Neste trecho, conforme prenunciado numa conversa anterior de Eva com um padre, fica nítido que ela percebe que não havia salvação para o seu filho. Se ele estivesse vivo, seria exatamente como Mikkel, um homem violento que pode agredir até a própria mãe. Uma constatação de desesperança dilacerante, típica do cinema nórdico.

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Ficha técnica:

Filhos | Vogter | 2024 | 100 min. | França, Dinamarca, Suécia | Direção: Gustav Möller | Roteiro: Gustav Möller, Emil Nygaard Albertsen | Elenco: Sidse Babett Knudsen, Sebastian Bull, Dar Salim, Marina Bouras, Olaf Johannessen, Jacob Lohmann, Siir Tilif.

Distribuição: Mares Filmes

Trailer:

Onde assistir:
Sidse Babett Knudsen e Sebastian Bull em "Filhos" (divulgação/Mares)
Sidse Babett Knudsen e Sebastian Bull em "Filhos" (divulgação/Mares)

Outras críticas:

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