Filme de assalto com altas doses de suspense, Golpe Explosivo entrega o que se espera desta produção voltada ao público em geral. E, ainda, chama a atenção para o seu diretor, o britânico David Mackenzie, que iniciou sua carreira na função em 1994 e já lançou 12 longas. Seus últimos quatro filmes – Encarcerado (2013), A Qualquer Custo (2016), Legítimo Rei (2018) e Relay (2024) – estão bem cotados no IMDb, com média acima de 7, e pedem uma atenção. Eu mesmo confesso que não tinha dado bola para eles, mas vou conferir (os três mais recentes estão disponíveis em streaming) e em breve coloco a crítica deles aqui no site.
Golpe Explosivo trabalha uma transição entre gêneros, mas isso não pega o espectador totalmente de surpresa, pois o filme entrega pistas bem claras desse movimento. Na primeira parte do longa, uma equipe antibombas liderada pelo Major Will Tranter (Aaron Taylor-Johnson) se dedica a uma delicada missão de desarmar uma poderosa bomba da Segunda Guerra Mundial encontrada durante uma obra em Westminster, centro político de Londres.
Enquanto o suspense alcança o pico de tensão, pois a explosão pode acontecer a qualquer instante, cenas em paralelo desconectadas com esse evento indicam a mudança de gênero. Aproveitando que o bairro todo foi evacuado, uma turma disfarçada de prestadores de uma fornecedora de água escava o subsolo de um prédio ao lado de um banco. Sob o comando de Karalis (Theo James) e X (Sam Worthington), eles invadem o cofre e roubam alguns itens específicos que sabiam estar ali – e o que eles levam também está envolto em mistério.
O filme de assalto
A situação de risco da bomba se encerra na metade do filme. A partir daí, Golpe Explosivo abraça de vez o heist movie. O plano do roubo se mostra mirabolante. Ousado em sua magnitude, todos os seus detalhes foram pensados e executados quase à risca. Nas etapas da fuga, reparto de valores e entrega ao comprador surgem as tradicionais revelações surpresas. Quem é aliado de quem, quem está traindo, enfim, fazem parte do gênero filme de assalto. E, aqui esta fase se sobressai da média da produção atual.
Como em toda boa trama de mistério, o espectador pode até desconfiar das verdades ocultas, mas a certeza só vem mesmo na conclusão. Neste filme, mais importante do que ser inesperado ou não, está o fato de trazer uma solução mais que satisfatória. E que ainda é alicerçado por um flashback que revisita o forte elo estabelecido pelos parceiros de crime. Por fim, depois de tanta tensão, o filme afrouxa o tom que sempre manteve sério para um bem-vindo alívio cômico durante o costumeiro epílogo que mostra o que aconteceu no futuro com os principais personagens.
Golpe Explosivo deve agradar ao público em geral porque traz as viradas na trama que o espectador tanto espera das produções contemporâneas. Neste filme, elas funcionam melhor porque não são forçadas por imposições dos algoritmos – elas estão no âmago do gênero filme de assalto.
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Ficha técnica:
Golpe Explosivo | Fuze | 2025 | 98 min. | Reino Unido | Direção: David Mackenzie | Roteiro: Ben Hopkins | Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Theo James, Sam Worthington, Gugu Mbatha-Raw, Elham Ehsas, Honor Swinton Byrne.
Distribuição: Diamond Films.






