O documentário Honestino, de Aurélio Michiles, resgata a história de um líder estudantil dado como desaparecido durante os cinzentos anos da ditadura militar. Honestino Guimarães foi presidente da UNE e aluno de Geologia da UnB. Uma das mais influentes vozes da resistência ao regime militar. Por causa de sua militância, foi preso cinco vezes. A última delas aconteceu em 1973, quando tinha 26 anos.
A exposição documental se concentra em uma sucessão de depoimentos, de diversas pessoas, de diferentes graus de intimidade com Honestino. Familiares, amigos, políticos e militantes se alternam nesse registro. A maior parte desses depoimentos foi gravada para o filme, mas arquivos antigos também fazem parte do longa.
A estrutura é cronológica, começando com os pais de Honestino, retratado como o cerne da vocação socialista do futuro líder estudantil. A família se mudou para Brasília durante a sua construção. Isso enseja uma longa sequência com imagens do levantamento da nova capital federal, juntamente com o cenário político da época que depois culminaria no Golpe de Estado.
Honestino entra em primeiro lugar no vestibular da UnB para cursar Geologia. Logo, vira membro da Ação Popular. Em 1966, é preso pela primeira vez. Este acontecimento é encenado com Bruno Gagliasso interpretando Honestino. Há alguns outros trechos encenados com o ator, e outros com diferentes atores como militantes na época.
Documentos, encenação e o aviso
O filme é rico em materiais que não só ilustram (arquivos de televisão, fotos, jornais) como fundamentam (cartas, fotos, depoimentos da época) a história de Honestino. A encenação, então, serve para adicionar dramaticidade e ao mesmo tempo suprir a escassez de registros com o próprio Honestino. Afinal, como explica um dos depoentes, ele era procurado pela polícia e precisava manter seu paradeiro em sigilo. Porém, como contraponto, atrapalha a materialização da aparência do verdadeiro Honestino, confundida com a do ator que o interpreta.
Por outro lado, apesar da dramatização, Honestino é um documentário objetivo, que não procura o apelo sentimental. Afinal, após decorridos mais de 50 anos, o que mais importa não é a tristeza pela sua morte bem como de outros desaparecidos políticos, mas o alerta para que o Brasil nunca mais entre numa era tenebrosa como foi a ditadura militar.
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Ficha técnica:
Honestino | 2025 | 86 min. | Brasil | Direção: Aurélio Michiles | Roteiro: Aurélio Michiles, André Finotti | Elenco: Bruno Gagliasso.
Distribuição: Pandora Filmes.



