O épico de artes marciais de Quentin Tarantino lançado originalmente em dois volumes nos anos 2003 e 2004 volta aos cinemas reunido em um só filme. Totalizando 4h35min de duração, com direito a intervalo, Kill Bill: The Whole Bloody Affair apresenta material adicional inédito e algumas mudanças na montagem e nas cores.
Material inédito
Entre as cenas inéditas, se destaca a extensão da sequência em anime com as origens de O-Ren Ishii. A nova versão mostra uma luta dela contra o yakuza Pretty Riki em um elevador. Além disso, há uma nova sequência animada nos pós-créditos. Nela, no lugar do estilo anime, entra a computação gráfica (feita pelo motor da Epic Games chamado Unreal Engine), que dá vida ao conteúdo criado por Tarantino chamado “The Lost Chapter: Yuki’s Revenge”, um curta-metragem que traz a irmã de Gogo Yubari atacando Beatrix Kiddo (Uma Thurman).
Outras cenas pós-créditos trazem o monólogo em preto e branco da Noiva na direção de um carro. Este trecho originalmente abre o Volume 2, mas não está nesta versão unificada. Também se eliminou a revelação de que a filha da Noiva sobreviveu, detalhe que fechava o Volume 1. Com isso, o público descobre isso junto com a personagem principal, o que funciona melhor nesse formato. Adicionalmente, há um curto plano de making of nos pós-créditos.
As outras diferenças entre os filmes originais e esta versão estendida são detalhes que produzem uma experiência lúdica nova, mas são difíceis de se notar. A batalha no restaurante japonês (um dos momentos mais geniais do cinema de Tarantino e do cinema de ação) agora traz os planos com maior violência gráfica que não entraram em Kill Bill: Volume 1. Além disso, a sequência inteira é colorida, sem a parte em preto e branco. Ainda em relação à cenas violentas, desta vez o filme mostra a Noiva cortando o outro braço de Sofie Fatale (Julie Dreyfus).
Avaliação
A reunião dos dois filmes em um só, tal como Quentin Tarantino havia idealizado originalmente, materializa a condição de obra épica, diluída quando assistida em duas sessões separadas. Visto de uma vez, a saga de vingança de Beatrix Kiddo, também conhecida como A Noiva, parece ainda mais emocionante. A própria personagem principal ganha maior dramaticidade. Suas perdas ficam ainda mais doloridas, justificando todo o sacrifício que ela aguenta para cumprir a sua missão.
Para quem apenas assistiu aos filmes na época do lançamento, a revisão nesse formato e nesse momento em que o cinema americano produz menos qualidade reforça a genialidade desta obra-prima de Tarantino. O apuro visual, as referências nada óbvias e especializadas do diretor-cinéfilo, as cenas de ação filmadas como se fossem produzidas em Hong Kong, enfim, são elementos que fazem brilhar os olhos do espectador. Aliás, assistir em um só filme ameniza a impressão de que o primeiro volume é superior ao segundo.
A batalha da Noiva contra a gangue de O-Ren Ishii (Lucy Liu) é o ápice do cinema de Tarantino. Uma luta magistralmente filmada, com diversas variações de luzes, planos, ritmo, cenário, sem perder a ligação com a inspiração e a homenagem aos filmes de artes marciais.
O relançamento vale também para que novos espectadores conheçam Kill Bill e o diretor autoral Quentin Tarantino. Enquanto isso, esquentam as expectativas para o seu décimo e último filme, um projeto que ele ainda não escolheu.
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Ficha técnica:
Kill Bill: The Whole Bloody Affair | 2026 | 275 min. | Estados Unidos | Direção: Quentin Tarantino | Roteiro: Quentin Tarantino, Uma Thurman | Elenco: Uma Thurman, Lucy Liu, Vivica A. Fox, Daryl Hannah, David Carradine, Michael Madsen, Julie Dreyfus, Chiaki Kuriyama, Shin’ichi Chiba, Chia-Hui Liu.
Distribuição: Paris Filmes.



