Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal

Título original: Midnight in the Garden of Good and Evil

Direção: Clint Eastwood

Ano de lançamento: 1997

Data de estreia no Brasil: 01/05/1998

Gênero: , , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6,5/10

Antes de Jurado nº 2 (Juror #2, 2024), o diretor Clint Eastwood filmou cenas de tribunal em outros filmes. Fez isso em Crime Verdadeiro (True Crime, 1999), A Troca (Changeling, 2008), O Caso Richard Jewell (Richard Jewell, 2019), e neste Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal. Baseado no livro de John Berendt, este filme se destaca por sua abordagem progressista em relação à comunidade LGBTQIA+, sigla que nem existia na época da produção. Apesar disso, ainda hoje Eastwood é erroneamente tachado de conservador, preconceituoso e misógino, herança que ele carrega por ter interpretado o personagem Dirty Harry.

Em Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, todo o enredo é construído sobre a questão homoafetiva. Parte de um crime que realmente aconteceu em Savannah, no início dos anos 1980. O milionário Jim Williams (Kevin Spacey) matou seu jovem amante Billy Hanson (Jude Law). Um júri popular decidirá se foi assassinato ou legítima defesa. Em paralelo ao processo, o repórter John Kelso (John Cusack) tenta descobrir provas que inocentem seu novo amigo Jim. Além de evidências materiais, ele precisa convencer uma testemunha-chave a dar o seu depoimento: a mulher trans Chablis (Lady Chablis) – personagem que o filme trata com muita simpatia, por sinal. A importância de seu testemunho vai além dos fatos, pois sua presença pode ajudar a evitar o principal ponto que pode afetar a decisão do júri desta sociedade conservadora, que é a orientação sexual de Jim.

Elipses e outros recursos da direção

Nesse ambiente de segredos íntimos, Clint Eastwood acerta ao trabalhar com várias elipses. O diretor confia na inteligência do espectador e, sempre que pode, evita mostrar o que já foi informado antes. Ou, então, para poupar o público de trechos insignificantes, como o longo discurso do promotor.

Por outro lado, pode-se questionar sua decisão de mostrar na tela o depoimento de Jim no tribunal, que Kelso e o espectador sabem ser mentirosa. Segundo Alfred Hitchcock, ao analisar seu próprio filme Pavor nos Bastidores (Stage Fright, 1950) na entrevista que concedeu a François Truffaut, essa prática significa enganar o espectador. No caso deste filme de Eastwood, não há enganação porque o público reconhece a inverdade, mas esta é mais uma razão para não mostrar o que não aconteceu.

Eastwood já realizara obras-primas como Os Imperdoáveis (The Unforgiven, 1992) e As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995). Como esperado, dirige novamente com absoluta segurança e destreza no enquadramento e na movimentação da câmera, bem como nos cortes precisos. Porém, adota um tom um pouco leve demais para contar essa história que envolve mistério e crítica social. Essa abordagem serve para acomodar o elemento fantástico da trama, por conta da médium Minerva (Irma P. Hall), mas um toque mais sombrio contribuiria para envolver com mais intensidade o espectador.

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Ficha técnica:

Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal | Midnight in the Garden of Good and Evil | 1997 | 155 min. | Estados Unidos | Direção: Clint Eastwood | Roteiro: John Lee Hancock | Elenco: Kevin Spacey, John Cusack, Jack Thompson, Irma P. Hall, Jude Law, Alison Eastwood, Paul Hipp, The Lady Chablis, Kim Hunter, Geoffrey Lewis.

Distribuição: Warner Bros.

Onde assistir:
John Cusack e Kevin Spacey em "Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal"

Outras críticas:

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