Não tem como falar sobre Ne Zha 2 – O Renascer da Alma sem abordar as suas cifras. Superprodução chinesa, essa animação contou com um orçamento de US$ 80 milhões. O investimento alcançou um retorno extraordinário. Lançado em 29 de janeiro de 2025, o filme arrecadou até agora uma bilheteria de 2 bilhões e 150 mil dólares (fonte: boxofficemojo). Já é a 5ª maior bilheteria de todos os tempos (fonte: boxofficemojo), sendo que ainda não estreou em mercados enormes como o Brasil, onde chega aos cinemas no dia 25 de setembro.
O sucesso surpreende ainda mais porque o primeiro filme, Ne Zha (2019), sequer teve lançamento global. Não estreou nos cinemas brasileiros, por exemplo. Mesmo assim, o público não-chinês tem comparecido às salas. É possível compreender o enredo, mas, sem os acontecimentos anteriores, perde-se o apelo emotivo que os personagens principais poderiam ter.
A trama
Nesta sequência, um relâmpago divino destrói os corpos de Ne Zha e Ao Bing. Então, o mestre Taiyi Zhenren recria ambos com a Flor de Lótus Sagrada, mas de forma frágil. O Rei Dragão Ao Guang, acreditando que o filho morreu, ataca a Passagem de Chentang com demônios e outros reis-dragão.
Para evitar a guerra, Ne Zha e Ao Bing compartilham o corpo de Ne Zha. E, precisam superar três provas para virar imortais e ganhar uma poção que refaz o corpo de Ao Bing. Durante as duas primeiras provas, Ne Zha toma pílulas para dormir para adormecer seu demônio interior enquanto Ao Bing o controla.
Após descobrir que a Passagem de Chentang Pass foi destruída, Ne Zha vence sozinho a terceira prova, obtém a poção e Taiyi restaura Ao Bing. Em seguida, Ne Zha se une a Wuliang para prender os dragões em um caldeirão, mas os outros reis-dragão traem Ao Guang e fogem. Novas traições se revelam, salientando a indistinção entre heróis e vilões. Aliás, o filme quebra os clichês colocando bichinhos fofos do lado do mal e criaturas horrendas (mesclas de animais) do lado bom.
Essa trama por vezes fica confusa, pela grande quantidade de personagens e, principalmente, por fugir das fórmulas hollywoodianas. Na verdade, nem mesmo as tradições milenares chinesas são respeitadas, em especial relacionadas à honra.
Animação de qualidade
Acima de tudo, o que encanta o público é a qualidade da animação. Nesse aspecto, o fato de ser uma produção chinesa pesa a favor desse deslumbramento. Os personagens possuem características físicas originadas de diferentes fontes. Alguns, como protagonista Ne Zha (antes da transformação), lembram desenhos de anime japonês. Enquanto isso, seu par Ao Bing, remete às tradições chinesas. Os seres fantásticos, misturas de animais conhecidos, remetem às criações de Hayao Miyazaki, muitos beirando o assustador.
Mas, as cenas que mais espantam são as lutas épicas. Incorporando efeitos usados em filmes de artes marciais de Hong Kong, inclusive a câmera lenta que depois ficou conhecida como “efeito Matrix”, os combates enfatizam os golpes e seus efeitos, como fez magistralmente outra animação asiática de recente sucesso nos cinemas: o anime Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito (2025). Os planos gerais, vistas bem de longe, fazem os numerosos seres se parecerem com flores ou insetos em gigantescos troncos de árvores.
Ne Zha 2 – O Renascer da Alma, assim, deixa a impressão de uma viagem sensorial, onde a história em si importa menos e até atrapalha essa experiência.
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Ficha técnica:
Ne Zha 2 – O Renascer da Alma | Nezha: Mo tong nao hai | 2025 | 143 min. | China | Direção: Yu Yang | Roteiro: Yu Yang, Xixing Lu, Zhonglin Xu | Vozes de: Yanting Lü, Mo Han, Hao Chen, Gong Geer, Yuze Han, Joseph, Qi Lü, Deshun Wang, Xinglinr, Wei Yang, Yu Yang, Michael Yurchak, Jiaming Zhang, Yunqi Zhang, Yongxi Zhou.
Distribuição: A2 Filmes.



