Natan Cain, o protagonista de Novocaine: À Prova de Dor, se tornou uma pessoa isolada e antissocial por ter a rara condição de CIPA (Insensibilidade Congênita à Dor com Anidrose, ou Congenital Insensitivity to Pain with Anhidrosis). Sofreu bullying na escola e sempre se afastou de qualquer elemento que possa representar algum risco, e que pode ser fatal porque ele não sente dores.
Hoje vive uma rotina tranquila como subgerente de um pequeno banco em San Diego. Mas, três assaltantes invadem a sua agência, roubam o dinheiro e levam uma refém: Sherry, a nova funcionária com quem ele acaba de se envolver romanticamente pela primeira vez na sua vida. Sem pensar duas vezes, ele parte atrás dos bandidos. Totalmente despreparado, mas a sua condição de insensibilidade à dor pode ser uma vantagem.
O filme transcorre num ritmo acelerado de perseguição. A narrativa estabelece paradas estratégicas em locais de confronto. Numa cozinha de restaurante, variados utensílios fazem as vezes de armas. Natan se aproveita, por exemplo, para pegar uma panela de ferro quente sem sentir seu calor e atacar um dos ladrões. Mas, sua CIPA não impede que sua mão fique com queimaduras do pior grau. Gradativamente, esse processo de detonação de seu corpo piora nessa empreitada para salvar a sua amada.
Numa outra parada, ele busca pistas em um sinistro estúdio de tatuagem. Sofre nova surra, mas sobrevive e se desloca até o endereço de um dos bandidos. O local é uma loucura, pois o morador é um sobrevivencialista (survivalist), e preparou várias armadilhas radicais para o caso de uma invasão. Como um dos personagens comenta, parece o cenário de Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990). Nesse trecho, como alívio cômico, surge o amigo de games de Natan, vivido por Jacob Batalon (o Ned dos novos filmes do Homem-Aranha).
Uma falha no confronto final
O último estágio de busca traz uma surpresa nada agradável para o protagonista, papel de Jack Quaid – o filho de Dennis Quaid e Meg Ryan, conhecido pela série The Boys e pelo filme Acompanhante Perfeita (Companion, 2025). Nesse trecho, o roteiro simplifica demais a redenção de Sherry, papel de Amber Midthunder, de O Predador: A Caçada (Prey, 2022) e da série Monarch (2026). Para funcionar, o fato de ela trair o irmão dependeria de um mergulho mais profundo na personagem.
O filme cumpre sua proposta de ação alucinada, implícita em seu título, já que o termo “novocaína” – como é conhecida a procaína, o primeiro anestésico local injetável sintético da história – possui a terminação derivada da cocaína. Além de acelerado, o longa da dupla Dan Berk e Robert Olsen pega pesado na violência extrema. Os confrontos são brutais e com detalhes gráficos à mostra. Eles, que fizeram antes Vilões (Villains, 2019) e Uma Obsessão Desconhecida (Significant Other, 2022), ambos com Maika Monroe como protagonista, acertam na maior parte. Novocaine: À Prova de Dor tem uma grande dose de ação e violência. Mas, faltou construir um arco dramático mais forte na parte final.
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Ficha técnica:
Novocaine: À Prova de Dor | Novocaine | 2025 | 110 min. | EUA | Direção: Dan Berk, Robert Olsen | Roteiro: Lars Jacobson | Elenco: Jack Quaid, Amber Midthunder, Ray Nicholson, Jacob Batalon, Betty Gabriel, Matt Walsh, Conrad Kemp, Evan Hengst.
Distribuição: Paramount Pictures.










