O Casamento de Romeu e Julieta

Título original: O Casamento de Romeu e Julieta

Direção: Bruno Barreto

Ano de lançamento: 2005

Data de estreia no Brasil: 18/03/2005

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

O Casamento de Romeu e Julieta é, acima de tudo, uma jogada comercial muito esperta de Bruno Barreto. Não é por acaso que ele dirigiu um dos filmes de maior bilheteria na história do cinema brasileiro, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Talvez estimulado por Boleiros: Era Uma Vez o Futebol… (1998), de Ugo Giorgetti, Barreto novamente coloca em campo comédia e futebol, duas preferências do povo brasileiro.

A premissa do filme se inspira na peça clássica de Shakespeare. No lugar da rivalidade entre as famílias Montéquio e Capuleto, entra a rivalidade entre os times Palmeiras e Corinthians, que possuem duas das maiores torcidas do futebol brasileiro. O amor impossível aqui é entre a palmeirense Julieta (Luana Piovani) e o corintiano Romeu (Marco Ricca). Torcedores fanáticos por seus times, eles até conseguiriam suplantar esse obstáculo em prol do grande amor que surge entre eles. Porém, as suas famílias não, em especial Alfredo (Luis Gustavo), pai de Julieta, e Nenzica (Berta Zemel), avó de Romeu.

A trama não descamba na tragédia como em Shakespeare. Caminha para a comédia de erros, a partir do momento em que Romeu finge ser palmeirense para conquistar e depois para manter seu namoro com Julieta. Como é de praxe no gênero, as situações vão ficando cada vez mais absurdas e mais difíceis de serem desmentidas. Tendo em conta que a história se passa alguns anos antes, um dos maiores sacrifícios de Romeu é ter de viajar no avião do Palmeiras para a final do torneio mundial interclubes no Japão contra o Manchester United, em 1999. Aliás, esses são os únicos trechos de jogos reais que aparecem no filme. As outras partidas são encenadas com o elenco da base do time alviverde (como indicam os créditos finais).

Piadas sujas e limpas

A comédia se aproxima da pornochanchada (apenas no tema, não na nudez) no início dos encontros do casal central do enredo. Enquanto mente ser palmeirense, Romeu não consegue transar com Julieta. Então, se enfileiram várias piadas com conotação sexual. Quando confessa ser corintiano, o problema de ereção se resolve. O humor também vira pastelão em outros momentos, como na sequência do aeroporto.

Hoje, o filme traz um pouco de nostalgia. Há cenas filmadas no Parque Antárctica, o tradicional estádio do Palmeiras que foi derrubado para a construção do Allianz Parque. No Pacaembu, que agora passa por reformas, vemos as duas torcidas nas arquibancadas. Desde 2016, devido à violência entre torcedores, apenas a torcida do time mandante pode comparecer ao estádio. Acabou-se a torcida mista.

Essa questão leva também a pensarmos sobre a polarização que hoje contamina o mundo. Não se trata mais de Montéquios e Capuletos, de Palmeiras e Corinthians, agora tudo é motivo para rivalidade. Para quem é isento, toda a situação de O Casamento de Romeu e Julieta parece exagerada. Essa percepção faz sentido, e deve ser estendida para os outros temas e assuntos que dividem as pessoas e destroem amores, famílias e amizades. Uma comédia simples, mas esperta, e que provoca reflexões depois de 20 anos.

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Ficha técnica:

O Casamento de Romeu e Julieta | 2005 | 90 min. | Brasil | Direção: Bruno Barreto | Roteiro: Jandira Martini, Marcos Caruso, Bruno Barreto | Elenco: Luana Piovani, Marco Ricca, Luís Gustavo, Martha Mellinger, Mel Lisboa, Leonardo Miggiorin, Berta Zemel, Renato Consorte, Marina Person.

Distribuição: Buena Vista International.

Onde assistir:
Marco Ricca, Luana Piovani e Luis Gustavo em "O Casamento de Romeu e Julieta"

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