O Fim da Rua

Título original: The End of Oak Street

Direção: David Robert Mitchell

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 13/08/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

4

/5

Com roteiro e direção de David Robert Mitchell e produção de J.J. Abrams, O Fim da Rua previsivelmente está repleto de nostalgia e sentimentalismo. Características bem trabalhadas, essas qualidades elevam um filme repleto de ação. Abrams certamente se encantou com a possibilidade de se aproximar do cinema de Steven Spielberg, em quem se inspira como diretor (basta checar o seu Super 8 [2011]), porque a premissa de O Fim da Rua coloca dinossauros num bairro urbano. Mas, diferente de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993), a justificativa científica para esse fenômeno aqui está nos buracos de minhoca – conceito que Carl Sagan apresentou em sua série Cosmos (1980), citado pela personagem Audrey Platt, adolescente vivida por Maisy Stella. Aliás, a história acontece em 1982, o que permite a nostalgia tão cara a Abrams e a David Robert Mitchell.

O fim do mundo?

Aubrey é irmã de Brian, papel de Christian Convery. Os dois temem que seus pais – Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) – estejam prestes a se divorciar, pois eles têm brigado muito. O ponto de vista dos filhos coloca sentimentalismo no enredo, tanto em suas percepções sobre o relacionamento dos pais como em suas aspirações juvenis. Brian, por exemplo, espia a nova moradora do bairro, enquanto anda pelo subúrbio de bicicleta com seus amigos, com medo de encontrar um valentão que está atrás dele. O momento mais tocante para Aubrey surge no meio do perigo, mais adiante no filme, quando ela se isola no carro e ouve uma música pop romântica (“Valerie”, de Steve Winwood, um detalhe que indica sua preferência sexual), receando que talvez esteja diante do fim do mundo.

O temor de Aubrey se justifica, pois o bairro inteiro onde ela mora com a família foi transportada para a era dos dinossauros. Nos quintais, surgem vegetações exóticas, e animais pré-históricos de todos os tamanhos saem dali e invadem as ruas. É bacana que são criaturas diferentes daquelas já manjadas da franquia Jurassic Park e daquelas criações genéticas bizarras de Jurassic World. A concepção e a execução do fenômeno surpreendem: as ruas do bairro param onde começa a paisagem pré-histórica e um dos lados desemboca num gigantesco abismo.

A ação frenética, no estilo montanha-russa, caracteriza a luta pela sobrevivência da família Platt. É uma missão complicada, pois a casa não serve como proteção e, no ambiente externo, o perigo pode estar em qualquer canto. A trama corre o risco de soar uma tarefa impossível, o que poderia estragar a emoção, até que Denise descobre uma saída nos portais dos buracos de minhoca. Dessa forma, os personagens ganham um objetivo para correr atrás.

Filme juvenil com ousadias

O filme tem um forte apelo juvenil, tanto pelos personagens mais jovens como pelo tom predominante. Há acenos de agrado ao público, com as intervenções de pets (cachorros e gatos), e comédia fácil (o monte de cocô no quintal do vizinho chato, dois gigantescos dinossauros cruzando etc.). E isso faz com que um determinado momento de violência gráfica soe ainda mais desconcertante, principalmente porque ousa atingir um personagem importante. Mas, no final, o roteiro cria uma boa saída para todas as situações que afligem os Platt.

Tecnicamente, os efeitos especiais e visuais estão à altura da excelência dos filmes Jurassic. Na direção, David Robert Mitchell se destaca no uso da profundidade de campo, recurso que usa várias vezes para criar suspense na aproximação do perigo que avança do fundo para perto da tela onde o personagem está. Acima de tudo, Mitchell se revela um bom diretor maneirista na sequência de planos com duplo foco com os membros da família que conversam em grupo, alternando em duplas, com um dos rostos muito grande e próximo da lente e o outro afastado mais no fundo ao lado, efeito que coloca dinâmica na conversa e iguala a relevância da opinião de todos.

O Fim da Rua estreia nos cinemas no dia 13 de agosto, mesma data em que outro filme com dinossauros chega à telona: Patrulha Canina: Uma Aventura Dino, destinado a crianças pequenas. No ano passado, Jurassic World: Recomeço (2025) apelou para dinossauros mutantes e atraiu uma ótima arrecadação nas bilheterias, mesmo não sendo um grande filme. Com personagens mais atraentes, uma trama mais original e uma direção superior, O Fim da Rua é melhor, mesmo que a venda de ingressos não alcance o mesmo patamar.

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Ficha técnica:

O Fim da Rua | The End of Oak Street | 2026 | 110 min. | EUA | Direção: David Robert Mitchell | Roteiro: David Robert Mitchell | Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery, Chris Coy, P.J. Byrne, Bethany Anne Lind.

Distribuição: Warner Bros. Pictures.

Trailer:

Vídeo-crítica:

Onde assistir:
Anne Hathaway e Maisy Stella em "O Fim da Rua" (Warner Bros.)

Outras críticas:

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