O Primata

Poster de "O Primata" (divulgação/Paramount)

Título original: Primate

Direção: Johannes Roberts

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 08/01/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6,5/10

O diretor inglês Johannes Roberts tem realizado vários filmes de terror lançados recentemente por aqui. Entre eles, Medo Profundo (2017), Medo Profundo: O Segundo Ataque (2019) e Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City (2021). Apesar de todos estarem apenas um degrau acima da mediocridade, são divertidos. Seu novo longa, O Primata, é um pouco melhor, mas só um pouco.

O filme começa seguindo a cansativa mania de flash forward, ou seja, um trecho de um acontecimento que ainda vai aparecer na trama. Em sua essência, serve para deixar o espectador ansioso por descobrir o que se passou para chegar a essa situação extrema. Mas, aqui não tem esse efeito, pois mostra um macaco agredindo ferozmente o veterinário que o conhece. A cartela que apareceu anteriormente entrega o problema: o animal está infectado com hidrofobia, comumente conhecida por raiva. A finalidade desta introdução, na verdade, é indicar o tom altamente violento desta produção.

Após os créditos iniciais, a trama começa de fato com Lucy (Johnny Sequoyah) retornando para a casa da sua família durante as férias da faculdade, junto com a sua amiga Kate (Victoria Wyant) e a amiga desta, Hannah (Jess Alexander). Lucy precisa se reconectar com a irmã caçula Erin (Gia Hunter), pois a relação ficou abalada porque faz tempo que ela não volta para casa, e a mãe morreu faz um ano. Esse detalhe dramático é pouco explorado no enredo, que simplesmente assume que elas logo voltam a se dar bem e se amam muito.

Começa a festa

O pai delas, Adam (Troy Kotsur, o ator surdo que recebeu um Oscar por No Ritmo do Coração [2021]), estará fora nos próximos dias para promover o lançamento de seu livro. Então, as garotas – e mais o irmão de Kate, Nick (Benjamin Cheng) – estão animadas porque terão a casa só para elas. Então, de repente, o filme mostra o ataque da cena de abertura. E, numa elipse esquisita, o pai já partiu de viagem e Ben, o chimpanzé de estimação deles, demonstra um comportamento agressivo. O diretor Johannes Roberts não quer perder o ritmo e sai atropelando explicações.

Quebrando paradigmas, a primeira vítima do grupo é a menina caçula, que leva uma mordida de Ben. E todos imediatamente se refugiam na piscina, baseando-se na crença de que chimpanzés não nadam. Assim, surge a situação típica no terror dos personagens acuados num lugar restrito enquanto a ameaça aguarda ao redor à espreita. As tentativas de sair para buscar uma solução – neste caso, um celular para chamar a polícia – criam oportunidade de suspense, que o filme aproveita.

A direção

A direção de Johannes Roberts tem erros e acertos. A maior bola dentro é o uso de efeitos práticos para reproduzir o chimpanzé Ben. Ao usar uma pessoa devidamente maquiada, o filme evita mostrar um macaco real demais, o que poderia fazer o público sentir pena dele e gerar protestos contra mal tratos a animais. Ben geralmente está mal iluminado e, de qualquer forma, suas feições são mesmo monstruosas. O diretor Roberts também acerta ao suprimir o som nas cenas em que o pai retorna para a sua casa, revelando o seu ponto de vista. O silêncio criar um suspense enorme.

Mas, dá para sentir que Roberts não é um grande diretor. Ele enquadra muito mal, como se pode perceber na cena em que Lucy sai da piscina para pegar uma boia. No plano geral, é difícil descobrir onde está o chimpanzé, problema que afeta outros trechos do filme. O diretor deixa escapar oportunidades de maior suspense que aproveitaria se decidisse melhor como filmar. Por exemplo, se usasse a perspectiva de Ben quando ele procura suas vítimas que se esconderam no armário.

Contudo, Roberts sabe trabalhar os clichês. Em O Primata, a busca pela ajuda da polícia, como sempre, não adianta nada. E os personagens bobalhões certamente serão assassinadas cruelmente. O melhor, porém, é o uso de uma trilha musical parecida com o tema principal de Halloween (1978), de John Carpenter, durante várias cenas de ataque.

Falta muito para que O Primata seja um bom filme. Mas, divertido ele certamente consegue ser.   

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Ficha técnica:

O Primata | Primate | 2025 | 89 min. | EUA | Direção: Johannes Roberts | Roteiro: Johannes Roberts, Ernest Riera | Elenco: Johnny Sequoyah, Troy Kotsur, Victoria Wyant, Jessica Alexander, Gia Hunter, Benjamin Cheng, Charlie Mann, Tienne Simon, Miguel Torres Umba.

Distribuição: Paramount Pictures.

Trailer:

Onde assistir:
Johnny Sequoyah em "O Primata"
Johnny Sequoyah em "O Primata"

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