O Samurai e o Prisioneiro

Título original: Kokurojo

Direção: Kiyoshi Kurosawa

Ano de lançamento: 2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

4

/5

Kiyoshi Kurosawa dirige seu primeiro jidaigeki ao adaptar o livro “O Samurai e o Prisioneiro”, de Honobu Yonezawa. A obra literária tem um elemento comum ao cinema do cineasta: a trama de suspense envolvendo mortes misteriosas. Esses eventos enigmáticos acontecem em cada um dos quatro capítulos da estrutura narrativa, que começam no inverno de 1578 e se sucedem até completar as estações do ano.

O samurai do título se chama Murashige Araki, um lorde feudal da província de Settsu que decide trair seu aliado poderoso Nobunaga Oda, o qual tinha ambições de unificar o Japão. Como trunfo, Araki confia em seu inexpugnável castelo Arioka. Ao saber disso, Oda envia seu estrategista de guerra, Kanbei Kuroda, para convencer o daimyo rebelde a desistir do plano. Mas, contrariando os protocolos de conduta do período Sengoku, Araki quebra a imunidade diplomática e prende Kuroda em uma masmorra. O prisioneiro até pede para ser morto, para que Oda não desconfie que ele se tornou um traidor. Tudo isso aconteceu de fato e faz parte da História do Japão.

Estratégia de guerra e o mistério nos bastidores

Diferentemente de Akira Kurosawa, Kiyoshi Kurosawa não filma aqui batalhas épicas envolvendo centenas de guerreiros. Os confrontos são esparsos e breves. Um deles traz um enfrentamento noturno especialmente belo pelas armaduras negras que brilham com a luz da lua. Nesta produção, o que determina a vitória ou a derrota não é a execução, mas o planejamento estratégico. Por isso, o daimyo Araki gradualmente se aproxima do prisioneiro Kuroda para obter aconselhamentos desse estrategista brilhante, muito superior aos seus próprios militares. Uma engrenagem crucial é a busca de aliados entre os outros clãs; por conta disso, um dos capítulos mostra a tentativa de presentear outro senhor feudal com uma valiosa porcelana.

Em meio a essa engrenagem de guerra, surgem os assassinatos misteriosos. Araki desconfia que há um espião dentro do castelo Arioka. Até nesses assuntos, o prisioneiro se mostra valioso para o daimyo. Chegando ao epílogo, o filme mostra o espião surgindo na tela justamente quando o espectador descobre a sua identidade. Enquanto isso, uma aranha desperta o alerta no senhor feudal que está prestes a confiar cegamente em seu conselheiro cativo.

O Samurai e o Prisioneiro talvez desagrade ao espectador ocidental que busca um filme de guerra cheio de ação ou um whodunit repleto de pistas. É uma mistura dos dois gêneros, mas com o ritmo mais lento do cinema japonês e inteiramente adaptado para a época da trama, o que influi até no modo como os personagens se movimentam. Fica a dica, então, para se deixar levar por essa ambientação que envolve lentamente e entrega uma experiência marcante.

O filme está na programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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Ficha técnica:

O Samurai e o Prisioneiro | Kokurojo / The Samurai and the Prisoner | 2026 | 147 min. | Japão | Direção: Kiyoshi Kurosawa | Roteiro: Kiyoshi Kurosawa, Honobu Yonezawa | Elenco: Masahiro Motoki, Masaki Suda, Yuriko Yoshitaka, Munetaka Aoki, Ryota Miyadate, Tasuku Emoto, Joe Odagiri, Yusuke Santamaria, Bando Shingo.

Masahiro Motoki em "O Samurai e o Prisioneiro"

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