Após o decepcionante Planeta dos Macacos (2001), de Tim Burton, a franquia iniciada no clássico filme de 1968 de Franklin J. Schaffner ganha uma nova adaptação. A roteirista Amanda Silver, de A Mão que Balança o Berço (1992), se junta novamente a Rick Jaffa (que estreou co-escrevendo Olho por Olho [1996] com a própria Amanda Silver e Erika Holzer), para criar uma história inovadora, que não ignora os principais pontos do original ao buscar uma atualização. O resultado, Planeta dos Macacos: A Origem é genial, e explica convincentemente a origem da evolução dos macacos e aponta para a quase extinção da raça humana.
A atualização se justifica, pois os tempos são outros. O mundo já não vive sob o fantasma da Guerra Fria, portanto não tem muito impacto a proposta do filme de 1968 de que a causa do fim do mundo como o conhecemos seja um conflito nuclear. Nesta nova abordagem, tudo acontece por causa dos interesses capitalistas da indústria farmacêutica na busca pela cura de uma doença grave – no caso, o Alzheimer.
O enredo
A abertura do filme, que mostra a caça selvagem de chimpanzés para virarem cobaias de um laboratório de pesquisas, sensibiliza o público para a crueldade da humanidade com os animais. O diretor Rupert Wyatt, neste seu terceiro longa, aplica uma bela transição entre a captura na floresta e a vida como cobaia. Num close dos seus olhos, originalmente escuros e depois brilhantes após a aplicação da droga ALZ-112, contém uma elipse de tempo que adiante se explica. No laboratório, essa chimpanzé fêmea demonstra uma incrível inteligência. O pesquisador responsável, Will Rodman (James Franco), conclui que o medicamente que visa restaurar as células danificadas (para cura do Alzheimer) vai além, e aumenta a capacidade do cérebro.
Porém, na apresentação dos resultados para os investidores, a chimpanzé age de forma agressiva, e é morta pelos seguranças. Na verdade, ela estava grávida, e Will, desrespeitando as regras, leva o bebê dela para sua casa. Enquanto acompanha o crescimento extraordinário dele, que ganha o nome de César, Will também aplica o ALZ-112 no seu pai, que sofre de Alzheimer. O pai (John Lithgow) apresenta melhoras, César cresce e evolui a ponto de se comunicar através de sinais, e Will começa a namorar a veterinária Caroline (Freida Pinto). Mas, as coisas começam a dar errado. O medicamente passa a perder o efeito na cura do pai, César agride um vizinho e vai parar num horrível abrigo para macacos, que fornece cobaias para o laboratório onde Will trabalha.
Fuga para um novo mundo
César conquista a confiança dos demais companheiros de cela. Sob sua liderança, todos conseguem fugir, depois de César aplicar o ALZ-112 neles, que os torna mais inteligentes. O grupo, então, dá início a uma rebelião dos macacos, libertando aqueles que estão no zoológico e no laboratório. Mas, para chegar à floresta das sequoias, onde pretendem viver, os macacos precisam enfrentar os humanos altamente armados que bloqueiam a famosa Golden Gate de San Francisco.
A cena pós-créditos explica o que vai definitivamente mudar o mundo. O novo vírus desenvolvido pelo laboratório é letal para os humanos. Um colega de Will se contamina, e ele contamina o vizinho do protagonista. Piloto de aviões comerciais, o vizinho infectado espalha a doença pelo mundo, preparando o terreno para a sequência, já com uma Terra com poucos sobreviventes humanos. Essa ideia, tristemente profética, acaba prevendo os efeitos da pandemia da Covid-19 que devastaria o mundo a partir de 2020.
Entre os detalhes inteligentes da trama, incluem-se ainda a cena em que César vê um cachorro passeando na floresta. Nota que o cão usa uma coleira assim como ele, e César se questiona sobre a sua relação com Will. Ele é também um animal de estimação? Revolta maior, entretanto, sente o macaco que sofre muito como cobaia do laboratório farmacêutico. De nome Koba, ele será crucial nos próximos filmes, pois será o macaco cheio de ódio em oposição ao pacifista César.
Em evolução
O filme exagera na quantidade de macacos em cena. Isso fica muito evidente na fuga do abrigo de animais, pois não havia mais que umas duas dúzias de macacos lá dentro. Os efeitos visuais ainda não estão tão azeitados como nas continuações. O bebê César, por exemplo, parece bem artificial. Isso não atrapalha, no entanto, o grande confronto na ponte de San Francisco, uma batalha emocionante com várias variações de situações de combate. Aliás, as vistas panorâmicas do alto, recorrentes durante o filme, são espetaculares, e dramaticamente impactantes.
A dupla de roteiristas, Amanda Silver e Rick Jaffa, daria continuidade a esse novo rumo da franquia. Com histórias consistentes, rendeu até agora mais três longas, ganhando um status de saga. A trilogia acompanha a jornada de César, culminando na explicação sobre a regressão evolutiva da humanidade. Já o quarto filme alcança o nível de evolução das espécies do longa de 1968. E um novo capítulo deve chegar aos cinemas em 2027.
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Ficha técnica:
Planeta dos Macacos: A Origem | Rise of the Planet of the Apes | 2011 | 105 min. | Estados Unidos | Direção: Rupert Wyatt | Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver | Elenco: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, Andy Serkis, David Oyelowo, Tyler Labine, Jamie Harris, David Hewlett.
Distribuição: Fox Film do Brasil.



