A série de filmes da franquia Planeta dos Macacos continuará sua expansão com uma sequência direta de Planeta dos Macacos: O Reinado (2024), confirmada pela 20th Century Studios para estrear nos cinemas em 2027. O novo longa-metragem deve dar continuidade à jornada de Noa, interpretado por Owen Teague, e de Mae, vivida por Freya Allan. Sob a direção de Wes Ball, o projeto marca o segundo capítulo de uma nova trilogia planejada, aprofundando o conflito de gerações e o legado deixado por César em um mundo onde os símios consolidam seu domínio enquanto os humanos lutam pela sobrevivência tecnológica.
Apesar dessa continuidade, vale a pena pensar num ranking dos dez filmes lançados até agora. Lembrando que as produções englobam a franquia clássica, iniciada em 1968, com base no livro de Pierre Boulle, e que rendeu quatro sequências, a refilmagem de Tim Burton, e a nova franquia que surgiu com Planeta dos Macacos: A Origem (2011).
O ranking da franquia destaca o original de 1968 disparado como o melhor de todos. A trilogia moderna (A Origem, O Confronto, A Guerra) merece elogios pela evolução técnica e emocional do personagem César. Já as sequências clássicas sofrem pela limitação orçamentária, apesar de terem um charme nostálgico. Quanto ao remake de 2001, Tim Burton decepciona. O filme de 2024, O Reinado, se destaca como um recomeço sólido, que permitiu a aprovação de uma nova sequência.
Ranking dos filmes “Planeta dos Macacos” (do melhor ao pior)
1. O Planeta dos Macacos (1968, Franklin J. Schaffner)
Simplesmente um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos, justamente por ir além da aventura e construir uma narrativa rica em camadas e metáforas sobre o futuro da humanidade. O filme se destaca ao abordar temas como crueldade contra animais, racismo e destruição do planeta, todos integrados de forma inteligente à trama. Tem um ritmo mais cadenciado no início, que prepara o terreno para revelações progressivamente mais impactantes até o desfecho icônico. A qualidade da produção surpreende, com maquiagem inovadora e direção segura, que ajudam a tornar esse universo convincente. No geral, o longa é um exemplo raro de sci-fi que equilibra entretenimento e reflexão profunda. Leia a crítica.
2. Planeta dos Macacos: A Origem (2011, Rupert Wyatt)
É uma reinvenção extremamente inteligente da franquia, atualizando o debate do original ao trocar o medo nuclear por uma crítica ao capitalismo farmacêutico e à busca pela cura do Alzheimer, o que torna a história mais próxima da nossa realidade. O filme acerta ao construir a jornada de César com emoção e significado, além de levantar questões éticas fortes sobre experimentação animal e ciência, culminando numa rebelião envolvente e cheia de impacto — especialmente na sequência da ponte. Mesmo assim, tem alguns exageros, como a quantidade excessiva de macacos em certas cenas e efeitos visuais ainda irregulares, que tiram um pouco da imersão. No geral, o filme representa um começo genial e promissor, que equilibra bem espetáculo e reflexão e ainda planta ideias que se tornam ainda mais relevantes, especialmente quando penso no paralelo com pandemias globais. Leia a crítica.
3. Planeta dos Macacos: O Confronto (2014, Matt Reeves)
Uma continuação sólida do novo rumo da franquia, sustentada principalmente pela força do roteiro e pelo desenvolvimento do conflito entre humanos e macacos. É eficaz ao contextualizar o cenário apocalíptico e mostrar a evolução dos símios, ao mesmo tempo em que constrói tensões a partir de motivações individuais — como o pacifismo de César e o ódio de Koba — que tornam o embate inevitável. A abordagem da guerra como algo sem sentido, reforçada por escolhas estéticas e narrativas, evidencia uma leitura crítica sobre violência e preconceito. Além disso, destaca-se a fluidez da narrativa e a construção visual dos macacos, que alcança alto nível de realismo e individualização. Leia a crítica.
4. Planeta dos Macacos: O Reinado (2024, Wes Ball)
Consegue revitalizar a franquia ao avançar várias gerações após César, o que permite maior liberdade narrativa e a retomada de elementos do clássico de 1968. Eficiente ao construir um novo protagonista e explorar um mundo em que os humanos regrediram, enquanto os macacos assumem diferentes papéis morais, com destaque para o antagonismo mais direto de Proximus. Também se ressalta o forte apelo visual e o alto nível técnico, com efeitos que elevam o realismo das criaturas e reforçam o impacto das cenas de ação. Apesar do tom inicial mais otimista, o desfecho aponta para novos conflitos, alinhando-se a uma visão mais pessimista sobre a convivência entre espécies. É um bom exemplar da franquia, que mantém sua força graças à combinação de espetáculo e ideias, ainda que funcione mais como expansão do universo do que como uma obra particularmente marcante. Leia a crítica.
5. Fuga do Planeta dos Macacos (1971, Don Taylor)
Começa com uma solução narrativa pouco convincente para dar continuidade à história após o final apocalíptico anterior, exigindo certa suspensão de descrença; ainda assim, uma vez superado esse ponto, o filme funciona bem. O tom mais leve e até bem-humorado se destaca, especialmente pela inversão de perspectiva — agora são os macacos que enfrentam o mundo humano —, o que gera situações curiosas e irônicas. Ao mesmo tempo, a narrativa aposta em ritmo acelerado e constante movimentação para manter o interesse, embora isso acabe prejudicando o desfecho, apressado e menos impactante do que poderia ser. Por outro lado, a obra se sobressai ao introduzir ideias interessantes de ficção científica, como conceitos ligados à viagem no tempo, além de manter o engajamento emocional com os protagonistas. É uma continuação criativa e envolvente, ainda que irregular em sua execução. Leia a crítica.
6. A Batalha do Planeta dos Macacos (1973, J. Lee Thompson)
Encerra a saga de forma simplificada e pouco ambiciosa, abrindo mão das discussões políticas mais profundas em favor de um foco maior na ação. O filme exige certa tolerância do espectador com incoerências narrativas e limitações de escopo, concentrando-se em conflitos localizados e menos elaborados. Ainda assim, há interesse na disputa de poder entre César e o general Aldo, que sustenta parte do envolvimento dramático, mesmo com cenas de batalha pouco impactantes. O desfecho sugere um tom inicialmente otimista, mas introduz ambiguidade ao indicar que os conflitos persistem, reforçando uma visão menos esperançosa do futuro. Um encerramento modesto, que funciona mais como entretenimento direto do que como uma conclusão à altura das ideias mais fortes da franquia. Leia a crítica.
7. Planeta dos Macacos: A Guerra (2017, Matt Reeves)
Encerra a trilogia de forma decepcionante, ficando abaixo das expectativas criadas pelos filmes anteriores. O início já é visto como problemático ao recorrer a explicações em texto, um recurso pouco cinematográfico. Embora haja tentativas de inserir comentários políticos — como a alegoria ao autoritarismo e à construção de muros —, essas ideias são tratadas de forma superficial. Além disso, o filme apresenta dificuldades em gerar identificação emocional com César, mesmo diante de eventos dramáticos, o que enfraquece o impacto da narrativa. Diversas situações também soam forçadas ou pouco verossímeis, comprometendo a coerência do enredo. Um desfecho irregular, que não consegue manter o nível estabelecido por Planeta dos Macacos: A Origem e Planeta dos Macacos: O Confronto, encerrando a trilogia com mais frustrações do que acertos. Leia a crítica.
8. De Volta ao Planeta dos Macacos (1970, Ted Post)
Bem abaixo do original, apresentando uma trama menos consistente e que se afasta do conceito sólido estabelecido no primeiro filme. Apesar do aumento da quantidade de cenas de ação, a narrativa é vista como exagerada e pouco convincente, especialmente ao introduzir elementos como humanos mutantes e telepatia, que enfraquecem a proposta. Ainda assim, o filme mantém certo interesse ao abordar o tema do pacifismo, refletindo tensões políticas da época, como guerras e regimes militares. Tecnicamente, destaca-se a continuidade da boa maquiagem dos macacos, mas os efeitos visuais são precários. Uma sequência inferior, que aposta mais em movimentação e conflito do que em profundidade, resultando em um desenvolvimento raso e pouco satisfatório. Leia a crítica.
9. A Conquista do Planeta dos Macacos (1972, J. Lee Thompson)
Parte de uma premissa interessante, mas sofre com um roteiro simplista e previsível, que apenas dá continuidade direta aos eventos do filme anterior sem grandes surpresas. Embora alguns elementos funcionem — como a explicação para a sobrevivência de César e as metáforas sobre escravidão e preconceito racial —, a narrativa perde força justamente no momento mais importante, quando a revolução acontece de forma confusa e pouco estratégica. A ausência de diálogos nesse clímax não é bem aproveitada pela direção, resultando em cenas de ação burocráticas e sem impacto. Além disso, o discurso final de César é frustrante, por não explorar o potencial político da história. Começa promissor, mas se esvazia ao longo do desenvolvimento, dando a impressão de uma execução apressada e pouco inspirada. Leia a crítica.
10. Planeta dos Macacos (2001, Tim Burton)
Dirigido por Tim Burton, é uma adaptação visualmente marcante, mas que falha ao abandonar os elementos centrais que deram força ao original, especialmente o comentário político e a densidade temática. Ao priorizar direção de arte e figurino, o filme se transforma em uma ficção científica estilizada, porém vazia em conteúdo. As mudanças na trama — como o equilíbrio entre humanos e macacos e a explicação baseada em viagem no tempo — são pouco convincentes, tornando a história mais superficial. Além disso, as cenas de ação não empolgam, com exageros que prejudicam a imersão. Em suma, um projeto autoral que privilegia a estética em detrimento da narrativa, resultando em uma obra bonita, mas sem profundidade. Leia a crítica.