Provas de Amor

Poster de "Provas de Amor"

Título original: Des Preuves D’amour

Direção: Alice Douard

Ano de lançamento: 2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Em seu segundo longa, Provas de Amor, a diretora Alice Douard conta com duas atrizes que se destacaram em seus filmes recentes: Ella Rumpf como protagonista de O Desafio de Marguerite (2023) e Monia Chokri como diretora de A Natureza do Amor (2023). As duas formam um casal em uma época encapsulada pelo tempo, marcadas pelas consequências da legalização do casamento entre pessoas do mesmo gênero na França em 2013. Embora se estabelecessem lei claras para essa união, o registro de um filho desse casamento permaneceu numa área nebulosa.

Nadia (Monia Chokri) está grávida, depois de uma inseminação artificial, e ela e Céline (Ella Rumpf) precisam seguir inúmeras formalidades para se prepararem para o registro do bebê que está por vir. Não é possível o registro direto. Antes de tudo, elas precisam iniciar um processo de adoção, mediante a apresentação de uma série de documentos. Entre eles, declarações das pessoas próximas testemunhando o relacionamento das duas.

E é de extrema importância obter a declaração dos pais, o que não é problema para Nadia, mas para Céline sim, pois sua mãe, Marguerite (Emy Juretzko), é uma pianista de prestígio que sempre priorizou a carreira em detrimento da maternidade. Essa terceira protagonista assume papel pivotal para a trama, pois, dentre os vários conflitos que surgem, aquele com a mãe se torna o principal a ser resolvido. Só para se ter uma ideia da difícil relação mãe-filha, Nadia já está no sexto mês de gestação e Céline ainda nem falou para Marguerite sobre o casamento e a gravidez.

Preconceito e conflitos universais

Várias das questões que aparecem no enredo independem da época, e tratam da ansiedade e do medo comuns a todos pais e mães antes da vinda do primeiro filho. Esse recorte produz as situações menos empolgantes do filme, e envolvem comparações com amigos e familiares com filhos e treinamentos no hospital.

A maior força dramática, além da questão mãe e filha de Céline, se concentra nesta cápsula do tempo diferenciada, uma época de indefinições, como costumam ser as transições de alto impacto. Dentre as situações especialmente singulares, destaca-se o desamparo legal que deixa Céline sem nenhuma relação garantida com o bebê até a aprovação da adoção. Na forma, imagens granuladas indicam o contexto temporal no passado, dando a impressão de ser um filme antigo – na verdade, antigo até demais, pois em 2014 já era predominante a qualidade digital.

Nesse aspecto, surgem episódios em que as pessoas se surpreendem e não sabem como agir diante de um casal de mulheres esperando um bebê, bem como reações preconceituosas. As ótimas encenações e atuações garantem o efeito dramático que distingue Provas de Amor da produção média.

E, como ponto alto, tem ainda a bela cena em que Céline imagina a mãe no palco falando diretamente para ela as tocantes palavras que ela escreveu na declaração. Para fugir do óbvio no tema e na forma. O filme está na seleção da 49ª Mostra.

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Ficha técnica:

Provas de Amor | Des Preuves D’amour | 2025 | 97 min. | França | Direção: Alice Douard | Roteiro: Alice Douard | Elenco: Ella Rumpf, Monia Chokri, Noémie Lvovsky, Emy Juretzko, Julien Gaspar-Oliveri, Aude Pépin, Anne Le Ny, Hammou Graïa.

Ella Rumpf em "Provas de Amor"
Ella Rumpf em "Provas de Amor"

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