Levou cinco anos para a Netflix lançar a sequência de The Old Guard (2020). Talvez essa demora faça parte de uma estratégia para os assinantes reverem o primeiro filme, que continua no catálogo. Ou simplesmente uma dificuldade para reunir novamente o elenco principal, proeza que a produção consegue atingir. Porém, na direção está agora Victoria Mahoney, mais acostumada em dirigir episódios de séries. E se Gina Prince-Bythewood realizou apenas um trabalho razoável no filme anterior, Mahoney chega a comprometer.
Mais do que o elenco original (Charlize Theron, Kiki Layne, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari, Luca Marinelli, Chiwetel Ejiofor, Veronica Ngo), The Old Guard 2 apresenta como novos atrativos Henry Golding e Uma Thurman, que está retomando a sua carreira.
A trama
Na primeira sequência, o grupo dos imortais, agora com o apoio de Copley (Chiwetel Ejiofor), conclui com êxito uma missão. Isso mostra como eles estão afiados, e apresenta os personagens para quem não viu o outro filme.
Mas, quando a trama de fato se inicia, logo fica evidente a sua fragilidade. Principalmente, porque revela que existem dois outros imortais, que são muito mais velhos do que Andy (Charlize Theron). Ou seja, como um dos personagens protesta, a líder estava mentindo para o grupo. Da mesma forma, o espectador também se sente enganado pelo filme. E isso já deixa o público com má vontade, e esse sentimento aumentará ainda mais com as soluções tolas para explicar por que Andy perdeu sua imortalidade e, consequentemente, como Discórdia (Uma Thurman) tentará usar Nile (Kiki Layne) para recuperar a sua.
O plano de Discórdia envolve sequestrar os outros imortais para chantagear Nile. O que parece sem sentido, pois o imortal ferido por Nile (o mais novo imortal existente) só consegue transferir o seu poder voluntariamente. Essa transferência, aliás, quando envolve Andy, é muito mal filmada, porque não dá para entender como acontece essa passagem. Além disso, Discórdia usa a seu favor o ódio da magoada Quinh (Veronica Ngo) contra Andy e seu grupo.
Parte Um
As várias locações na Europa tentam incrementar (ou disfarçar) o enredo. Mas, o excesso acaba confundindo e deixando a impressão de luxo desnecessário. Em alguns casos, o local dá sentido à narrativa e permite criar belas cenas como em Roma, quando Andy caminha por uma rua e o entorno vai refletindo as suas lembranças das várias épocas da História que ela viveu ali.
Contudo, na maior parte do filme, a direção é problemática. Alguns cortes entre os planos soam estranhos, porque não estão no momento certo. Nas cenas de ação, às vezes não dá para saber quem está lutando, porque a câmera está muito distante. Nas lutas, as coreografias são feias, com golpes sem estilo nenhum. Até o clímax parece sem capricho, com helicópteros que provavelmente foram inseridos por computação gráfica e uma fotografia ruim que se perde no uso de luzes brilhando no fundo que se refletem na tela. Além disso, os diálogos bobos permeiam todo o enredo.
Para piorar, The Old Guard 2, que poderia se chamar The Old Guard 2 – Parte Um, seguindo a tendência atual de dividir um filme em duas partes, não termina a sua história aqui. Até na escolha do momento para fechar esse longa é errado, pois se encerra num tom esperançoso (também errado, pois vários imortais acabaram de ser sequestrados), e não num cliffhanger (o clássico gancho com os herói em perigo como chamariz para assistirem à continuação). Se bem que, diante desse filme desastroso, serão poucos os que retornarão a essa franquia.
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Ficha técnica:
The Old Guard 2 | 2025 | 107 min. | EUA | Direção: Victoria Mahoney | Roteiro: Greg Rucka, Sarah L. Walker | Elenco: Charlize Theron, Kiki Layne, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari, Luca Marinelli, Chiwetel Ejiofor, Veronica Ngo, Henry Golding, Uma Thurman, Kamil Nozynski, Slavko Sobin.
Distribuição: Netflix.
Trailer:



