Thelma & Louise

Título original: Thelma & Louise

Direção: Ridley Scott

Ano de lançamento: 1991

Data de estreia no Brasil: 11/10/1991

Gênero: , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

Marco do cinema feminista, Thelma & Louise é um neo-western com papeis invertidos. Mistura a amizade de Butch Cassidy (1969) com o anti-heroísmo de Bonnie e Clyde (1967) num road movie que passa pelo icônico Monument Valley dos filmes de John Ford.

O enredo acompanha duas mulheres que partem sozinhas para um fim de semana longe de seus homens e de suas rotinas frustrantes. No caso da jovem Thelma (Geena Davis), seu marido Darryl (Christopher McDonald) não dá a mínima para ela e a limita a ser uma dona de casa. Já Louise (Susan Sarandon) trabalha como garçonete e está dando um tempo no relacionamento com seu namorado Jimmy (Michael Madsen).

O destino planejado dessa escapada era uma casa nas montanhas. Porém, quando param num bar no caminho, Louise mata um homem que tenta estuprar Thelma. A partir daí, o desespero as leva a decisões precipitadas que iniciam uma escalada de crimes, num road movie pelo interior dos Estados Unidos.

Libertação feminina

O filme é uma alegoria da libertação que as mulheres anseiam – sentimento muito mais forte na época da sua produção do que hoje. A jornada abre a oportunidade para as protagonistas, pela primeira vez em suas vidas, tomarem as rédeas de suas vidas. Mas, ao invés de mostrar uma viagem divertida, o corajoso roteiro ousa colocar as duas em situações explosivas como foras-da-lei impiedosas. Ou seja, fazem as vezes dos justiceiros no faroeste. Cometem alguns crimes por necessidade (assalto ao mercado, a rendição do policial), e outros como intolerância ao machismo abusivo (o estuprador e o caminhoneiro obsceno). O ato contra o caminhoneiro é o mais gratuito e diretamente representativo desse sentimento.

Os demais personagens masculinos, exceto o namorado de Louise, são caracterizados pelo roteiro como pessoas desprezíveis ou inúteis. O pior deles é o marido de Thelma, um machista patriarcal que pensa que lugar de mulher é na cozinha. Ele acaba sendo punido quando descobre que a esposa o traiu com o jovem cowboy J.D. (Brad Pitt em início de carreira). Esse J.D. também não presta. Apesar de servir como instrumento de liberação sexual de Thelma, ele a engana e rouba o dinheiro de Louise. E tem ainda o investigador policial vivido por Harvey Keitel. Ele quer ajudar a dupla de protagonistas – mas seu personagem é inconsistente (por que ele faria isso?) e ainda por cima inútil.

As protagonistas

Na verdade, os personagens constituem o ponto fraco do filme. Até mesmo em relação às protagonistas. O roteiro carrega demais a mão na caracterização de Thelma como uma mulher desmiolada. Ela parece não ter nenhuma noção da realidade, e sua ingenuidade é que dá início à sucessão de eventos ruins que estragam o fim de semana de diversão que as amigas buscavam. É tão infantilizada que beira o caricatural.

O problema com Louise é outro. Ela faz a mulher rodada e experiente da dupla. Possui um trauma no passado, que a faz agir tão impulsivamente no ataque ao estuprador da amiga. Até aí, funciona bem. Mas, no decorrer da história, a personagem se torna inconsistente, se deixa levar na onda de insensatez da amiga, quando deveria tentar impedi-la. Porém, nunca chega a soar tão doida quanto Thelma. Ao contrário desta, Louise tem sempre o freio puxado por segurança. E não deveria ter. Se mergulhasse na loucura, o final trágico não teria apenas um sentido simbólico, mas seria uma consequência coerente com o turbilhão de emoções que as duas viveram nesses dois dias.

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Ficha técnica:

Thelma & Louise | 1991 | 129 min. | Estados Unidos | Direção: Ridley Scott | Roteiro: Callie Khouri | Elenco: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Michael Madsen, Christopher McDonald, Stephen Tobolowsky, Brad Pitt, Timothy Carhart.

Onde assistir:
Susan Sarandon e Geena Davis em "Thelma & Louise"

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