Toque Familiar

Poster de "Toque Familiar" (divulgação/Imovision)

Título original: Familiar Touch

Direção: Sarah Friedland

Ano de lançamento: 2024

Data de estreia no Brasil: 18/09/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Longa de estreia da diretora e roteirista Sarah Friedland, Toque Familiar retrata um dos momentos mais difíceis para uma pessoa com Alzheimer. No caso, quando, já sem condições de viver sozinha, Ruth (Kathleen Chalfant) se muda para uma casa de repouso. A perda da memória predomina, porém surgem ainda alguns instantes de clareza, que às vezes complicam esse processo de adaptação. Por outro lado, elas mantêm presente a consciência da pessoa que ainda está ali fisicamente.

Sarah Friedland filma com muito rigor. Nas cenas na casa de Ruth, utiliza exclusivamente a câmera fixa. Enquanto está sozinha, o plano estático é único. Depois, quando toma o último café da manhã ali com o seu filho, a variação se limita ao plano e contraplano. A câmera só se movimenta mesmo, e somente para acompanhar os personagens, quando a protagonista chega à casa de repouso. Contrariando o simbolismo mais evidente, essa mudança no estilo de direção parece indicar que ali não é a sua prisão. Porém, constantes usos de enquadramentos com molduras internas (portas, móveis etc.) certamente representam a limitação da liberdade da personagem.

Sem apelos sentimentais

As filmagens aconteceram em Villa Gardens, em Pasadena, na Califórnia, com a colaboração de seus residentes, o que proporciona uma maior autenticidade no retrato das rotinas dos pacientes com problemas de memória como Ruth. O longa apresenta uma sucessão delas, sem repetições, o que evita que se torne maçante para o espectador. A ausência de trilha musical, além de reforçar essa autenticidade, revela outra característica essencial do filme, que é a de não buscar o sentimentalismo do público.

Nesse sentido, Toque Familiar se restringe a mostrar como Ruth vai se adaptando a essa nova situação. A perda da memória leva a situações inusitadas, como quando ela entra na cozinha e começa a dar ordens como se estivesse em sua casa. Ou quando sai da instituição e anda pelas ruas e tenta fazer compras num mercado. Sem uma música ou outro recurso, como a reação dos outros personagens, ditando o tom, esses momentos podem provocar diferentes sentimentos dos espectadores. A recursa em conduzir o público fica evidente quando Ruth desenha com a comida em seu prato, mas o que ela cria não é mostrado na tela.

Uma trégua para a emoção

No entanto, existe uma sequência que faz um aceno sentimental para quem assiste ao filme. Primeiro, Ruth flutua na água da piscina e o som de ondas e crianças brincando que se ouve só pode ser da recordação de uma época alegre de sua vida. Logo em seguida, ela está na ducha, e chora porque esse exercício despertou sua consciência e, portanto, se entristece porque sabe que sua memória está desaparecendo por completo. Ainda assim, ela chora de costas e as lágrimas se confundem com as águas do chuveiro, para não ser apelativo demais.

 A cineasta Sarah Friedland consegue, assim, equilibrar o natural sentimentalismo do tema com a sua direção controlada. Toque Familiar resulta num filme surpreendentemente maduro para um trabalho de estreia.

___________________________________________

Ficha técnica:

Toque Familiar | Familiar Touch | 2024 | 91 min. | EUA | Direção: Sarah Friedland | Roteiro: Sarah Friedland | Elenco: Kathleen Chalfant, Carolyn Michelle Smith, Andy McQueen, H. Jon Benjamin.

Distribuição: Imovision.

Trailer:

Onde assistir:
Kathleen Chalfant em "Toque Familiar" (divulgação/Imovision)
Kathleen Chalfant em "Toque Familiar" (divulgação/Imovision)

Outras críticas:

Rolar para o topo