O ator e comediante (inclusive do Saturday Night Live entre 2013 e 2022) Kyle Mooney estreia na direção com este Y2K – O Bug do Milênio, filme que imagina o que aconteceria se a crise do título realmente tivesse acontecido. Para quem não se lembra, ou ainda não tinha nascido na época, havia um enorme medo de que os computadores não estivessem prontos para entender a mudança da data na virada para 2000, pois muitos programas consideravam apenas dois dígitos para esse fim (ou seja 99 e não 1999). E, por isso, entrariam em um colapso global.
Para resultar numa história repleta de ação, o roteiro extrapola para um mundo dominado pelas máquinas. O cenário apocalíptico inclui computadores combinados com todos os tipos de equipamentos, formando seres com alto poder letal. Um deles, por exemplo, acopla uma motoserra e desmembra pessoas. Sim, porque o filme tem um tom muito violento, apesar dessa trama juvenil.
Os personagens
O elenco traz jovens adultos em papeis de estudantes de ensino médio. Jaeden Martell, que despontou em It: A Coisa (2017) é o nerd Eli. Como alvo de sua paixonite virginal está Rachel Zegler, quando ainda era unanimemente elogiada antes de ser mal escalada para Branca de Neve (2025), dando vida a Laura, a garota popular da escola que, secretamente, é um hacker. Completando o trio de protagonistas, Julian Dennison (do live action Como Treinar o Seu Dragão [2025]) faz Danny, o melhor amigo de Eli.
Mas, com exceção da dupla central formada por Jaeden Martell e Rachel Zegler, os demais personagens participam apenas parcialmente do filme. Até mesmo Danny some da história, de uma forma surpreendente, quebrando as expectativas (e justificando que se trata de uma produção da A24). Muitos entram e saem da história conforme cada etapa da jornada de Eli e Laura, que se deslocam tanto quanto num road movie. Contudo, nesse entra e sai os personagens soam artificiais, e as aparições especiais (Fred Durst do Limp Bizkit, como ele mesmo, e Alicia Silverstone, no papel da mãe de Eli) tentam estimular a nostalgia de quem viveu os anos 1990. Nesse intuito de resgate do passado, contam também as locadoras de vídeo, o hip hop, o skate, os filmes pornôs e a internet discada.
Um pouco de nostalgia
No entanto, o que mais impregna Y2K – O Bug do Milênio é a sensação de ser um filme B de ficção-científica das duas últimas décadas do século passado. A ideia cai no absurdo, mas os robôs representam uma ameaça real, e espalham o terror com detalhes de violência gráfica. O ingrediente cômico se restringe ao comportamento dos personagens e, no máximo, consegue ser simpático. O humor visceral, aquele besteirol no estilo SNL, está tímido e nunca decola. O resultado é um filminho sem graça e sem rumo.
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Ficha técnica:
Y2K – O Bug do Milênio | Y2K | 2024 | 91 min. | EUA, Nova Zelândia | Direção: Kyle Mooney | Roteiro: Kyle Mooney, Evan Winter | Elenco: Jaeden Martell, Rachel Zegler, Julian Dennison, Daniel Zolghadri, Lachlan Watson, Fred Durst, Kyle Mooney, Eduardo Franco, Mason Gooding, The Kid Laroi, Lauren Balone, Alicia Silverstone.



