A Fuga de Fox

Título original: Stone Cold Fox

Direção: Sophie Tabet

Ano de lançamento: 2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 4,5/10

A diretora Sophie Tabet estreia em longas-metragens com A Fuga de Fox (Stone Cold Fox) exibindo um estilismo afetado. Os créditos de abertura entregam a referência que a cineasta busca. Os rápidos trechos com pessoas em patins, roupas coloridas e a fotografia saturada já bastariam, mas é a fonte do título que não deixa dúvidas: a história se passa nos anos 1980. A protagonista Fox (Kiernan Shipka) confirma a época em sua narração redundante, que serve mesmo para chamar o flashback da infância traumática que ela teve por causa da mãe drogada.

Por isso, assim que pôde, Fox fugiu de casa, abandonando a irmã caçula Spooky (Bluesy Burke), de quem ela gosta muito, arrependimento que a atormenta. Perdida, ela conhece a traficante de drogas Goldie (Krysten Ritter), que a ajuda enquanto a seduz. Faltou o roteiro ser mais explícito na demonstração de que Goldie abusa de Spooky (a agressão no almoço parece um caso isolado), para justificar sua decisão de se arriscar e roubar uma sacola cheia de cocaína (pensando que era dinheiro). Agora, Fox precisa fugir do corrupto sargento Billy Breaker (Kiefer Sutherland), que fornecera para Goldie as drogas roubadas. Além disso, Fox tem que salvar a irmã que se tornou refém da traficante (o que acaba sendo uma surpresa frustrante para o espectador).

O maneirismo de Sophie Tabet mantém um estilo rústico, como se fosse um filme B de exploitation (apesar de este tipo de cinema ter explodido na década anterior). O efeito vem do uso frequente da imagem congelada durante a narração (recurso típico de Martin Scorsese), do granulado, do filmar em ambiente interno contra a luz que entra pela janela. Não é ruim, pelo contrário, pois busca uma nostalgia formal que combina com a narrativa.

Comédia demais

No entanto, o filme erra no tom excessivamente cômico. O desvio de rota começa com a entrada dos dois imigrantes libaneses que resolvem ajudar Fox. Parece uma grande tolice que essa dupla de amadores consiga enfrentar a gangue de Goldie e o sargento Breaker (que na sua primeira cena mata à queima-roupa um jovem desarmado). O confronto se desenrola numa pegada quase pastelão que estraga o filme. Fica difícil acreditar no perigo que Fox corre, e muito menos torcer por ela. Aliás, por que não fazer um filme sério? 

A Fuga de Fox ainda desperdiça a presença de Krysten Ritter e Kiernan Shipka, atrizes que já foram bem mais carismáticas em papéis anteriores – respectivamente, na série Jessica Jones e no filme Dezesseis Facadas (2023). Principalmente porque elas formam um casal neste filme, mas sem nenhuma química. Pelo menos, Kiefer Sutherland encarna convincentemente o detestável e perigoso policial corrupto.

Mas, no geral, faltou a influência de um certo Quentin Tarantino para dosar a mistura de comédia e violência.

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Ficha técnica:

A Fuga de Fox | Stone Cold Fox | 2025 | 86 min. | Estados Unidos | Direção: Sophie Tabet | Roteiro: Sophie Tabet, Julia Roth | Elenco: Kiernan Shipka, Kiefer Sutherland, Krysten Ritter, Jamie Chung, Karen Fukuhara, Mishel Prada, Lorenza Izzo, Gabrielle Maiden, Adam El Sharkawy, Bluesy Burke, Julia Roth, Farah Bsieso, Chau Long, Michael Sebastian, Cristo Montt.

Kiernan Shipka em "A Fuga de Fox"

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