Com A Incrível Eleanor, a atriz Scarlett Johansson estreia na direção de longas resgatando as suas raízes judias. O roteiro tem autoria da também estreante Tory Kamen, que o escreveu inspirada na história de sua avó.
No filme, Eleanor Morgenstein (June Squibb) e Bessie (Rita Zohar), amigas desde jovens, são duas viúvas que vivem juntas há 11 anos, na Flórida. Quando Bessie morre, Eleanor viaja para Nova York para passar uns dias com a filha Lisa (Jessica Hecht) e o neto Max (Will Price). Lisa inscreve a mãe no coral de um centro comunitário, mas Eleanor entra na sala errada, onde se encontra um grupo de apoio a sobreviventes do Holocausto. Pega de surpresa, Eleanor, que nunca esteve num campo de concentração, decide contar a tocante história de Bessie, esta sim uma sobrevivente, como se fosse a sua. A intenção é boa, pois ela pretende evitar que a experiência da amiga jamais seja esquecida. Porém, a mentira toma proporções cada vez maiores, principalmente com a intervenção de Nina (Erin Kellyman), estudante de jornalismo e filha de um famoso apresentador da TV (Chiwetel Ejiofor).
A Incrível Eleanor começa com um tom sarcástico e um ritmo ágil que lembra Woody Allen e o melhor do humor judeu. A amizade vigorosa entre Eleanor e Bessie fica evidente desde a primeira cena. E os diálogos sagazes, entre as duas e, principalmente, de Eleanor com outras pessoas no supermercado, encantam o público. Mas, logo a direção de Scarlett Johansson cai em erros.
Afundando no drama
A morte de Bessie, por exemplo, é comunicada com o elegante recurso do banco na praia agora ocupado somente por Eleanor, sem ninguém ao lado. Bastava essa imagem, mas o filme insiste em enfatizar a perda mostrando como ficou a vida de Bessie sozinha nas rotinas de casa, sem necessidade. Os entreveros entre Eleanor e sua filha Lisa constituem bons momentos. Mas, a parte final é outro problema, pois a trama se esgota antes, no bar mitzvah, e o que se sucede depois se arrasta interminavelmente, até chegar a uma conclusão forçada, pronta para emocionar o público.
Dentro dos acertos, merece menção a analogia da mentira de Eleanor com a história bíblica de Esaú e Jacó, inclusive por estar conectada com o tema do judaísmo. A revelação também acerta porque a comédia de erros resulta num drama, acrescentando seriedade ao filme. Por outro lado, a narrativa complementar, do luto de Nina e seu pai, não emociona tanto quanto deveria.
Numa visão geral, A Incrível Eleanor demonstra que Scarlett Johansson dirige melhor a comédia do que o drama. A parte inicial cômica, por isso, é empolgante, e o restante, dramático, não tem a mesma força. Mas, esta é uma suspeita que só seus futuros filmes poderão provar ou refutar.
O filme está na seleção da 49ª Mostra.
___________________________________________
Ficha técnica:
A Incrível Eleanor | Eleanor the Great | 2025 | EUA | 98 min. | Direção: Scarlett Johansson | Roteiro: Tory Kamen | Elenco: June Squibb, Erin Kellyman, Jessica Hecht, Rita Zohar, Chiwetel Ejiofor, Will Price.
Distribuição: Sony Pictures.



