A Mão Que Balança o Berço

Poster de "A Mão Que Balança o Berço"

Título original: The Hand That Rocks the Cradle

Direção: Curtis Hanson

Ano de lançamento: 1992

Data de estreia no Brasil: 21/08/1992

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

O diretor Curtis Hanson fez seus melhores filmes na década de 1990. Um deles é A Mão Que Balança o Berço, que acaba de ganhar uma sofrível nova versão. O roteiro original – o primeiro de Amanda Silver, que construiria uma carreira notável – parte de um tema à frente de seu tempo (antecipando o “me too”) para assim apresentar uma engenhosa trama de vingança.

Ao invés de apelar para o plot twist, o roteiro revela desde o início o plano de vingança. Claire Bartel (Annabella Sciorra) é casada com Michael (Matt McCoy) e eles têm uma filha de 10 anos chamada Emma (Madeline Zima). Grávida, Claire realiza um exame médico com um ginecologista que a molesta sexualmente. Após a sua denúncia, outras pacientes tomam a coragem de fazer o mesmo. Arruinado, o médico se suicida e sua esposa (Rebecca De Mornay), abalada com o fato, perde o bebê que carregava em seu ventre. A contraposição de planos com a esposa totalmente devastada e a família Bartel sorrindo feliz estabelece para o espectador a intensidade da raiva que sente essa mulher em luto por seu marido e seu bebê.

Executando um plano friamente calculado, ela surge na vida de Claire com um nome falso, Peyton Flanders. Apresenta-se como a candidata mais bem preparada para a vaga de babá de Claire, e consegue ser contratada. Com seu insinuante jogo de induções, Peyton semeia desconfianças na família de Claire, que desaba sob um profundo desequilíbrio emocional.

A direção de Curtis Hanson

Ao revelar desde o início as intenções da vilã, Curtis Hanson consegue criar um imenso suspense a cada etapa do seu estratagema. O espectador alterna entre a tensão de saber se as pessoas cairão na sua cilada e a expectativa de descobrir o que ela espera conseguir. E, conforme Peyton obtém os seus malignos resultados, mais enlouquecida ela fica e mais violento o filme se torna.

A Mão Que Balança o Berço se destaca por vários momentos marcantes. Como o surgimento quase fantasmagórico de Peyton Flanders na primeira vez que conversa com Claire, saindo de trás do ônibus escolar. Ou quando ela coloca na boca os pedaços de maçã que corta com uma faca, satisfeita internamente por seu plano estar dando certo.

O roteiro constrói personagens vigorosos, que o elenco muito bem escolhido consegue materializar. Annabella Sciorra se adequa perfeitamente ao papel da esposa que cuida da casa e dos filhos. Sempre vestindo roupas casuais, como jeans e camisa, ela parece bela e frágil, característica enfatizada pela sua asma crônica. Em contraste, Rebecca De Mornay encarna a vilã sofisticada, que veste roupas elegantes mesmo trabalhando como babá, e vestidos transparentes e colados quando quer seduzir. A menina Emma, filha de Claire e Michael, também impressiona como atriz mirim de expressão convincente, enquanto Solomon (Ernie Hudson), o prestador de serviço com deficiência mental, funciona como um anjo protetor da família. Além disso, o filme traz Julianne Moore, em começo de carreira, como Marlene Craven, a perspicaz amiga do casal.

Todos esses elementos interagem à quase perfeição neste provocador thriller que tem como cenário as ruas de Washington. Cinco anos depois desse eletrizante filme, Curtis Hanson seria aclamado por Los Angeles: Cidade Perdida (1997), o ápice de sua filmografia.

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Ficha técnica:

A Mão Que Balança o Berço | The Hand That Rocks the Cradle | 1992 | 110 min. | EUA | Direção: Curtis Hanson | Roteiro: Amanda Silver | Elenco: Annabella Sciorra, Rebecca De Mornay, Matt McCoy, Ernie Hudson, Julianne Moore, Madeline Zima, John de Lancie, Kevin Skousen.

Onde assistir:
Rebecca De Mornay em "A Mão Que Balança o Berço"
Rebecca De Mornay em "A Mão Que Balança o Berço"

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