A Morte de Robin Hood desmitifica o notório ladrão do século XII na Inglaterra que rouba dos ricos para distribuir aos pobres. Em seu filme, Michael Sarnoski, evita a lenda fantasiosa e apresenta uma versão bem mais próxima do que deve ter acontecido.
O ano é 1247. Uma garota perdida encontra Robin Hood (vivido por Hugh Jackman) ao lado de uma fogueira. Depois de atender à súplica dela e lhe dar comida, ele mesmo desmente o seu mito. Primeiro verbalmente, mas depois com uma reação violenta à tentativa da menina de atacá-lo. Um ato chocante, porque ela é praticamente uma criança. Mas, Robin Hood se condicionou a se comportar dessa forma para se proteger. Depois de uma vida inteira praticando roubos e cometendo assassinatos brutais, muitas pessoas querem se vingar dele.
De fato, em um dos confrontos com inimigos, ele é gravemente ferido. Seu amigo João Pequeno o leva inconsciente para a ilha do priorado da Irmã Brigid (papel de Jodie Comer), que o cura sem saber quem ele é de verdade, pois Robin Hood esconde a sua identidade. Durante o tempo de tratamento de seu ferimento, Robin Hood passa a conviver com as outras pessoas da ilha, principalmente um misterioso leproso, com quem conversa bastante. Além disso, ajuda nas tarefas cotidianas, a pedido da prioresa.
A estética do filme ilustra esse novo momento na vida de Robin Hood. Até então, antes de chegar à ilha, predomina a fotografia escura. Personagens filmados em silhueta e rostos cobertos com sujeira ou um capacete escondem a sua humanidade. Agem com tanta violência e crueldade que nem parecem ser pessoas. Em contraste, no priorado de Brigid as cenas são solares. Nesse lugar, todos andam com seus rostos à mostra e limpos (com exceção do leproso, até certo ponto).
Em busca da redenção
Diante da paisagem bucólica e da rotina desacelerada e tranquila da ilha, Robin Hood questiona seu passado. Contrariando o título do filme de Akira Kurosawa, o homem mau não dorme bem. Esse sentimento de autojulgamento se intensifica quando chega ao local a pequena Margaret (a prodigiosa atriz mirim Faith Delaney, de Aqui [2024] e Hamnet [2025]), filha do João Pequeno. Ela adota um comportamento arredio, resultante do trauma de testemunhar a morte de sua família. Mas, reconhece em Robin Hood o velho amigo de seu pai. Logo, o vínculo entre os dois se fortalece.
Robin Hood, enfim, se arrepende da sua vida pregressa. A tal ponto que dá um sermão para um jovem morador do priorado sedento por vingança. Mas, para efetivamente encontrar a sua paz interna, Robin Hood precisa violar uma promessa feita ao leproso em seu leito de morte. A revelação de sua verdadeira identidade para a Irmã Brigid leva a uma solução consensual que proporciona a ele a sua redenção, e a ela uma vingança silenciosa.
O diretor Michael Sarnoski confirma aqui sua habilidade em construir personagens fortes, como fez antes em Pig: A Vingança (2021) e, surpreendentemente, em Um Lugar Silencioso: Dia Um (2024). Novamente, ele recorre, em parte, ao clima sombrio desse primeiro filme, protagonizado por Nicolas Cage. Mas, Robin Hood é o alvo de vingança, e sua expiação impossível, só lhe restando se sacrificar para se sentir absolvido pela sua própria consciência. A Morte de Robin Hood, ao contrário do que a princípio poderia ser, não é um filme de ação, mas um melodrama pesado sobre arrependimento tardio.
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Ficha técnica:
A Morte de Robin Hood | The Death of Robin Hood | 2026 | Estados Unidos | 122 min. | Direção: Michael Sarnoski | Roteiro: Michael Sarnoski | Elenco: Hugh Jackman, Jodie Comer, Bill Skarsgård, Noah Jupe, Murray Bartlett, Faith Delaney, Alfie Lawless, Elijah Ungvary, Tabitha Smyth.
Distribuição: Imagem Filmes.



