Considerando a boa recepção de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), era de se esperar que Lee Cronin dirigisse também a sua sequência. Porém, ele escolheu realizar Maldição da Múmia (2026). Então, Sam Raimi, criador da franquia, convidou o francês Sébastien Vanicek para assumir a direção de A Morte do Demônio: Em Chamas. Vanicek possui apenas um longa em sua filmografia: o terror Infestação (2023). Curiosamente, esse seu filme sobre aranhas assassinas, lançado no mesmo ano de A Ascensão, guarda com este a semelhança de contar uma história que se passa dentro de um prédio.
A Morte do Demônio: Em Chamas, pelo contrário, foge do ambiente urbano para retomar o isolamento rural que é uma das características da franquia. Talvez com o intuito de resgatar a pegada indie de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio (1981), Sébastien Vanicek traz a fotografia escura e cinzenta de sua estreia em longas, no lugar das cores fortes de A Morte do Demônio (2013), de Fede Alvarez, e de A Ascensão. Essa aproximação com o primeiro filme também acontece na sequência de planos com a câmera flutuando entre a mata enquanto uma personagem fala as quatro palavras que evocam os mortos. Os Deadites que mudam de ameaçadores para meigos para enganar as pessoas é outra marca indelével deste material.
A trama
O novo filme abre com uma sequência aterrorizante num lago afastado onde dois amigos pescam. É o mesmo local da abertura do filme anterior que, na verdade, acontece após os eventos daquela história, que termina com a possessão de uma garota chamada Jessica. Essa garota, agora na forma de um Deadite, aniquila os rapazes no lago, para depois encontrar tragicamente Will na estrada. Destaca-se nesse trecho o detalhe gore da mão com a carne se desfazendo.
O enredo retorna algumas horas no tempo para explicar como Will foi parar ali. Nesse trecho, num bar, conhecemos os personagens principais. Alice (vivida por Souheila Yacoub) tem uma briga com seu marido Will, e este vai embora bêbado dirigindo em alta velocidade. Joseph, o irmão de Will, e sua namorada Thya estavam juntos, mas não conseguiram impedir que ele partisse.
Após o funeral, todos se reúnem na casa dos pais de Will e Joseph. Desse lugar isolado, eles não conseguirão sair, pois os Deadites aparecem por lá atrás de uma adaga que Joseph encontrou nas pesquisas que seu avô fazia sobre o Livro dos Mortos. Moram ali, além dos pais (Susan e William), a avó Polly com alteração cognitiva, personagem que se torna o discutível elemento cômico do filme.
A direção
Sébastien Vanicek mostra habilidade em filmar cenas de ação e violência. A escolha da câmera de cima para baixo no ataque de Thya contra a família é um bom exemplo, que lembra uma versão expandida do assassinato do detetive em Psicose (1960). A queda da personagem na escada, com a câmera colada atrás, também causa um ótimo efeito. Da mesma forma, a câmera que mantém Alice no centro do quadro enquanto o pai briga com Joseph reforça a eficácia do diretor neste tipo de cena.
Os movimentos estranhos dos personagens possuídos, os Deadites, parecem de fato sobrenaturais. E muitos trechos provocam aflição pela violência, entre elas, a caneta enfiada no ouvido de uma protagonista. O cortador de grama no lugar da clássica motosserra representa uma benvinda novidade.
Mas, por outro lado, Sébastien Vanicek cede a alguns clichês já muito batidos. Como, por exemplo, o uso de música romântica durante um momento de grande violência. A parte final, por sinal, desaponta. O Deadite carbonizado não assusta. Ao contrário das demais aparições construídas com muita maquiagem e efeitos práticos, este ser queimado feito em computação gráfica parece mais com o Exterminador do Futuro e com uma voz gutural que não combina com as criaturas possuídas desta franquia Evil Dead. Deve-se ainda levar em conta que a montagem é confusa em algumas cenas. Isso acontece na cena do jantar e no ataque dentro do carro.
Por fim, o filme ainda insere o tema da violência doméstica. Este é o drama que Alice vivia em seu casamento com Will. E quando este tenta seduzí-la, em sua versão Deadite, dizendo que a ama, ela responde como as mulheres nesta situação devem fazer. Ou seja, falando que amar não é suficiente.
Poderia ser melhor
A Morte do Demônio: Em Chamas garante eficientes momentos de ação e terror. Mas, tem uma premissa fraca (a busca pela adaga) que ainda é prejudicada por não focar na personagem principal. O humor com a senhora idosa que perde a memória é questionável. Já os efeitos especiais visuais são irregulares – competentes durante todo o filme, exceto na conclusão. É bom, mas inferior ao seu antecessor A Morte do Demônio: A Ascensão.
Antes de concluir, fica o alerta para duas cenas pós-créditos que valem a pena a espera. A primeira vem logo após os nomes principais, e a segunda no final de tudo.
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Ficha técnica:
A Morte do Demônio: Em Chamas | Evil Dead Burn | 2026 | 110 min. | Nova Zelândia, EUA, Canadá | Direção: Sébastien Vanicek | Roteiro: Sébastien Vanicek, Florent Bernard | Elenco: Souheila Yacoub, Tandi Wright, Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Errol Shand, Maude Davey, George Pullar, Greta Van Den Brink.
Distribuição: Sony Pictures.










