Baseado no livro de Nicholas Hogg, A Seita é o segundo longa da diretora e roteirista inglesa Jordan Scott. Na adaptação para as telas, ela troca o local da trama de Tóquio para Berlim.
A trama
É na capital alemã que o psicólogo social americano Ben Monroe, vivido por Eric Bana, se instala após se divorciar da esposa. No momento em que sua filha adolescente Mazzy, papel de Sadie Sink (que ganhou fama com a série Stranger Things), chega para passar seis meses com ele estudando, Ben está começando a analisar um caso de suicídio coletivo investigado pela policial Nina, vivida por Sylvia Hoeks.
O filme começa muito sombrio. Antes do local do suicídio em grupo com vários mortos, há a cena em que Ben atende, diante da porta de entrada trancada, a uma paciente que se mantém reclusa dentro do seu apartamento. O psicólogo permanece num corredor pouco iluminado de um prédio decrépito, e planos curtos revelam a louça suja com moscas em volta na casa da moça, que perdeu as esperanças na humanidade. Toda a primeira parte de A Seita possui uma fotografia escura com tons marrons, que indica o quanto o seu tema é assustador.
O enredo acompanha essa atmosfera pesada. Após desembarcar em Berlim, Mazzy toma um trem para ir à casa do pai. No trajeto, conhece o misterioso jovem Martin (Jonas Dassler), que o filme logo revela estar envolvido com uma seita radical preocupada com a preservação da natureza. Ele ouve áudios doutrinadores e comparece às reuniões do grupo. A câmera trêmula no apartamento onde ele mora com a avó é um recurso formal que a diretora emprega para refletir a personalidade desequilibrada desse personagem.
Mazzy se coloca cada vez mais em perigo conforme seu relacionamento com Martin se estreita. Absorvido pela pesquisa sobre os recentes suicídios coletivos e pela aproximação com Nina, Ben precisará se atentar à segurança de sua filha. Todas essas linhas narrativas convergirão, dando vasão a uma montagem reveladora que desvenda o que foi meticulosamente planejado.
Um filme irregular
Mas, o roteiro possui algumas pontas soltas. Exagera na intenção de surpreender demais, ao incluir até aquela conversa inicial com a paciente reclusa como parte do plano, embora essa personagem depois interaja com outras pessoas apesar de sua condição psicológica. Falta também mostrar o processo de envolvimento de Mazzy com a seita, pois é pouco se restringir apenas ao início de namoro com Martin. E soa redundante desvendar como aconteceu a morte da jovem no lago, porque que só a revelação do seu nome no noticiário já seria suficiente para a narrativa. A ida de Ben ao encontro da seita em busca da filha é uma sequência muito frágil, repleta de incongruências – por exemplo, a facilidade com a qual ele foge dali. Por outro lado, fecha satisfatoriamente o arco do protagonista ao relacionar a redenção do protagonista com a situação similar do seu trauma com a filha. Mas, no geral, traz uma trama mirabolante demais.
O uso de espelhos em várias cenas acertadamente simboliza as incertezas quanto a saber quem é confiável, e os duplos de cada um. Porém, a direção erra ao não manter o ambiente sombrio conforme o enredo se envereda por situações gradativamente mais tenebrosas. O clímax dramático, quando Ben encontra o grupo da seita e o seu desdobramento acontecem num ambiente iluminado que não condiz com a gravidade da situação.
A Seita, portanto, prende a atenção pela empatia da situação entre o pai e a filha que tentam se adaptar à nova situação após o divórcio e ainda superar um trauma do passado. Quanto ao tema, embora represente um perigo muito temido, não produz a tensão que poderia, por culpa do roteiro frágil e da direção irregular.
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Ficha técnica:
A Seita | Berlin Nobody / A Sacrifice | 2024 | 94 min. | Alemanha, Estados Unidos | Direção: Jordan Scott | Roteiro: Jordan Scott | Elenco: Eric Bana, Sadie Sink, Sylvia Hoeks, Jonas Dassler, Sophie Rois.
Distribuição: HBO Max.








