A Violência de Ninguém

Título original: Violence du Corps de l’Autre

Direção: Denis Côté

Ano de lançamento: 2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

2

/5

Pela sexta vez, o diretor canadense Denis Côté tem um filme selecionado para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A 50ª edição do festival apresenta A Violência de Ninguém, no qual o cineasta volta a trabalhar com a atriz Larissa Corriveau. Desta vez, ela interpreta Mira, uma mulher que presta o serviço de suicídio assistido. Apesar de ser permitido no Canadá desde 2016, o filme a coloca realizando seu trabalho clandestinamente — ela não é médica nem enfermeira. O enredo não explica o motivo: talvez seja mais barato, menos burocrático ou a história aconteça antes da legalização.

O longa não julga a personagem, mas desconhecidos que sabem o que ela faz a encaram com agressividade. E, em alguns casos, ela enfrenta parentes ou amigos que a ameaçam como se estivessem diante do mensageiro da morte. A aparência taciturna de Mira, o clima gélido, a imagem granulada, flashes confusos que marcam a passagem e a fotografia escura contribuem para construir um tom duramente mórbido. E triste também, porque a maior parte dos clientes sofre de uma doença terminal, e um deles é uma pessoa com quem ela se envolve na trama.

A incapacidade de se relacionar com a turma que trabalha nesse negócio e o fato de ela não deixar que um veterinário dê uma injeção letal para um cachorro intensificam a complexidade da protagonista. Apesar de seu semblante frio, Mira parece não se sentir confortável com o que faz.

Desvios

Porém, o filme se perde em alguns momentos. A reunião dos pares de Mira com os seus chefes se alonga demasiadamente, em digressões cansativas, embora a caracterização estranha desses personagens seja importante para o tom da produção. É como se essa turma, de fornecedores da morte, precisasse dessa diversão forçada para aguentar trabalhar com esse tipo de serviço. Em um dos trechos menos inspirados, a protagonista cavoca as entranhas de um de seus pacientes, o que soa como uma violência gráfica apelativa.

A Violência de Ninguém é um filme pesado, que parece ter a intenção de criticar essa forma de aliviar quem está morrendo.

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Ficha técnica:

A Violência de Ninguém | Violence du Corps de l’Autre | 2026 | Canadá | 118 min. | Direção: Denis Côté | Roteiro: Denis Côté | Elenco: Larissa Corriveau, Philippe Rebbot, Xavier Bergeron, Gabrielle Lazure, Pierrette Robitaille.

"A Violência de Ninguém" (50ª Mostra)

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