O filme francês Apostando Alto consegue reproduzir os altos e baixos da jogatina.
Em sua estreia em longa-metragem, a diretora Marie Monge aposta no charme dos atores Tahar Rahim, de O Profeta (2009), e Stacy Martin, de Ninfomaníaca (2013). E a química da dupla funciona, o que é essencial para a credibilidade de Apostando Alto.
Elle trabalha duro no pequeno restaurante da família em Paris. Porém, o seu foco no trabalho é perturbado quando ela contrata Abel como o novo garçom da casa. Carismático e persuasivo, ele logo apresenta Elle para o mundo dos cassinos ilegais da capital francesa. Então, a moça deixa sua vida estável para entrar numa perigosa montanha russa de alto risco.
No início, o relacionamento é uma maravilha. A empolgação das apostas vitoriosas nas mesas de jogo impulsiona a rápida evolução de um namoro. Logo, Elle negligencia o seu trabalho com o pai no restaurante, e passa a viver ao lado de Abel. Porém, o rapaz se mostra viciado em qualquer tipo de aposta. E, quando começa a perder, fica evidente que Abel queria Elle ao seu lado porque ela dava sorte, como um amuleto. Assim, o antes charmoso rapaz se torna um monstro. Por fim, suas dívidas com um agiota colocam em risco não só a sua vida, mas também a de Elle.
Altos e baixos
A diretora de Apostando Alto, Marie Monge, realiza uma distinta reprodução dos dois momentos desse mergulho de Elle pela jogatina. Nesse sentido, a montagem rápida e com belos travellings e enquadramentos evidencia o glamour sedutor do cassino. Ao lado do charme do Abel de Tahar Rahim, é fácil entender como a garota não resiste a esse novo mundo que bate à porta de sua vida de trabalhadora. A dupla protagoniza cenas de muita sensualidade, provando o poder da sedução de Abel sobre Elle. Aliás, propositalmente ou não, os dois e mais um amigo dançam como um trio em um bar, numa cena que remete a Banda à Parte (1964), filme de Jean-Luc Godard que tinha tema semelhante. Nessa estória, a protagonista era convencida a participar de um roubo.
Depois, quando Tahar começa a perder, ele perde o seu charme. E não só para Elle, como para o espectador também. Afinal, o temor pela dívida com o perigoso agiota o leva a agir como um cafajeste. Com medo, ele arruína a vida de Elle. Apostando Alto não simpatiza com o rapaz, mas deixa claro que ele é vítima do vício do jogo, e isso o domina completamente.
E, como o filme é majoritariamente filmado durante a noite, a fotografia consegue trabalhar as luzes de acordo o que pede a narrativa. Em outras palavras, as luzes podem reproduzir o glamour dos cassinos, ou as penumbras do abandono em ruas ou locais ermos.
Desvio de rota
Porém, o filme desvia de sua rota na parte final. Até então, Apostando Alto se concentrava no drama desse relacionamento destrutivo e nos efeitos do vício. Mas, ao tentar inserir mais ação na estória, soa forçada a forma como o casal se livra do agiota e sua gangue. Além disso, perde-se sua essência realista.
Em suma, Apostando Alto se comporta como o próprio protagonista Abel. Ou seja, no início seduz, é sensual e empolgante, mas arrisca em uma cena de ação que não funciona. Não chega a estragar o filme, mas prejudica a sua apreciação.
A partir do dia 10 de fevereiro, o filme Apostando Alto, que esteve na Quinzena dos Realizadores de Cannes, estará disponível no Now, Vivo Play, YouTube, Google Play, iTunes/Apple
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Ficha técnica:
Apostando Alto (Joueurs) 2018. França. 105 min. Direção: Marie Monge. Roteiro: Julien Guetta, Marie Monge. Elenco: Tahar Rahim, Stacy Martin, Bruno Wolkowitch, Karim Leklou, Marie Denarnaud.
Distribuição: Califórnia Filmes.
Trailer:
Assista ao trailer legendado aqui.
Assista também: a video-crítica de Apostando Alto no canal Leitura Fílmica.