Ataque Brutal não leva tão a sério o subgênero dos filmes de tubarão. Embora não chegue ao escracho da franquia Sharknado, sua subversão lida com clichês batidos levando-os a situações absurdas ou quebrando a expectativa.
A história acontece na pequena cidade costeira Annieville, na Carolina do Sul. Um furacão provoca uma inundação total, que se torna ainda mais perigosa com a presença de um grupo de tubarões-touro.
Seguindo o padrão dos filmes-catástrofe, a narrativa acompanha vários personagens, mostrando como cada um enfrenta o desastre. O roteiro desfila figuras conhecidas do cinema de gênero, mas de maneira consciente, tentando quebrar alguns paradigmas.
Personagens conhecidos
Três jovens irmãos brincam num rio, desprezando a tempestade que já começou. O mais velho mergulha na água e demora para voltar à tona, para assustar os outros. Reaparece gritando, como se um tubarão o atacasse. A situação é típica de um slasher, quase sempre sinalizando os personagens tolos que serão as primeiras vítimas. Mas, ao longo do filme, essa percepção se mostra equivocada. Duros na queda, os três são órfãos que sofrem sob a guarda de pais adotivos que só estão interessados no subsídio que recebem do governo.
Não poderia faltar, também, uma mulher grávida, personagem recorrente nos filmes-catástrofes. Interpretada por Phoebe Dynevor, Lisa tem a função de protagonizar os momentos absurdos que garantem sua sobrevivência. Entre eles, há o trajeto entre o carro quase totalmente inundado em que ela está presa e a casa de Dakota (Whitney Peak), que a ajuda. Espertamente, o filme substitui essa situação improvável (a grávida de 9 meses saltando em cima de telhados molhados) por uma elipse.
Dakota, aliás, é a grande heroína da história. Para sobreviver e ainda salvar Lisa, ela antes precisa superar o trauma da perda recente da mãe, que provocou nela uma crise de agorafobia. Portanto, é mais uma personagem padrão, em especial em filmes de ação.
Subvertendo os gêneros
O diretor norueguês Tommy Wirkola vem trabalhando com o cinema de gênero, deturpando-o à sua maneira. Zumbis na Neve (Død snø, 2009), João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, 2013) e Noite Infeliz (Violent Night, 2022) são exemplos dessa sua abordagem.
Ataque Brutal segue a mesma linha. Desta vez, com uma pequena dose de humor (presente na interação entre os irmãos órfãos) e com um desprezo pela coerência do enredo. Tudo soa simplificado – e, por isso, os personagens nem deveriam tentar explicar o que acontece, já que não importa para o filme. No final das contas, é uma diversão descartável ciente de sua despretensão.
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Ficha técnica:
Ataque Brutal | Thrash | 2026 | Austrália, EUA | Direção: Tommy Wirkola | Roteiro: Tommy Wirkola | Elenco: Phoebe Dynevor, Djimon Hounsou, Whitney Peak, Alyla Browne, Stacy Clausen.
Distribuição: Netflix.



