O primeiro filme sobre o boneco Chucky, Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988), hoje chama a atenção positivamente pelo uso de marionete no lugar dos efeitos de computação gráfica que predominam nas produções atuais. Esse encanto pode ser produto de pura nostalgia, mas o boneco físico manipulado manualmente agrada, neste caso, porque o próprio personagem é, em sua essência, um boneco.
Como consequência, provoca espanto quando ele fala (pela primeira vez sem repetir a gravação de fábrica) e se move para atacar a sua vítima. Mas, tem um senão. Funciona muito bem quando Chucky investe contra o detetive da polícia com uma faca na mão, mas não quando tenta estrangulá-lo, porque parece não ter força suficiente para isso. Por outro lado, aproveitando o enredo, Chucky se torna ainda mais assustador depois que é queimado.
O elenco e a trama
Brinquedo Assassino conta com um ótimo elenco. Catherine Hicks, atriz que sempre atuou bem e merecia ter alcançado uma carreira de maior sucesso, interpreta Karen, a protagonista. Ela é uma mãe solo que se vira como vendedora de uma loja de departamentos. Seu filho Andy (Alex Vincent, que retornaria em outros quatro filmes da franquia e na série Chucky), porém, adora o desenho animado do boneco Chucky e deseja muito o novo brinquedo do personagem como presente de Natal. No entanto, esse boneco grande e falante custa caro demais para a sua mãe comprar.
No prólogo do filme, o detetive Mike Norris (Chris Sarandon, o vampiro de A Hora do Espanto [Fright Night, 1985]) persegue o bandido Charles Lee Ray (Brad Dourif, que voltaria à franquia em seis outros filmes e na série, fazendo a voz do Chucky) e acaba matando-o quando ele invade uma loja de brinquedos. Antes de morrer, Charles invoca um ritual xamânico e possui um boneco Chucky da loja. A fim de realizar o sonho de seu filho, Karen compra esse brinquedo por uma ninharia de um morador de rua.
No início, Andy desenvolve um forte apego pelo seu presente. Porém, logo estranhas mortes começam a acontecer. Karen descobre que Chucky é o culpado, mas ninguém acredita nela.
A direção
O diretor Tom Holland empolgou com sua estreia A Hora do Espanto, mas desapontou em seguida com a comédia de ação Beleza Fatal (Fatal Beauty, 1987), estrelada por Whoopi Goldberg. Porém, acertou ao retornar ao terror neste Brinquedo Assassino. Imprimiu nele um ritmo acelerado, com eficientes cenas de ação.
Para construir o terror, investiu na locação do apartamento da protagonista, situado num prédio antigo de provocar calafrios, com direito a um elevador com grades e escada de ferro. Faz ainda bom uso da câmera subjetiva da perspectiva do boneco assassino. Em suas primeiras cenas no apartamento, Chucky ganha ares fantasmagóricos, aparecendo misteriosamente em lugares diferentes daqueles onde as pessoas o deixaram. Dessa forma, reserva para o momento certo sua primeira fala e suas movimentações na tela. Ao sair para as ruas, mantém a sensação de ser uma aparição sobrenatural.
Mas, quem criou vínculos fortes com a franquia foi o corroteirista Don Mancini, o autor da história. Ele esteve envolvido em todos os dez filmes e é o showrunner da série que durou entre 2021 d 2024. Chegou, ainda, a dirigir os longas O Filho de Chucky (Seed of Chucky, 2004), A Maldição de Chucky (Curse of Chucky, 2013) e O Culto de Chucky (Cult of Chucky, 2017). Só ficou fora da refilmagem de 2019.
Essa franquia tão extensa só engatou porque Brinquedo Assassino surgiu com força. Não há dúvidas que, dentro da sequência original de sete filmes, este é o melhor.
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Ficha técnica:
Brinquedo Assassino | Child’s Play | 1988 | 87 min. | Estados Unidos | Direção: Tom Holland | Roteiro: Don Mancini, John Lafia, Tom Holland | Elenco: Catherine Hicks, Chris Sarandon, Alex Vincent, Brad Dourif, Dinah Manoff, Tommy Swerdlow, Jack Colvin, Neil Giuntoli.
Distribuição: United International Pictures.



