Cinco Tipos de Medo

Título original: Cinco Tipos de Medo

Direção: Bruno Bini

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 09/04/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7,5/10

A premissa de Cinco Tipos de Medo traz à mente o vencedor do Oscar Crash: No Limite (2004). Ambos bebem do cinema coral de Robert Altman. Envolvem vários personagens cujos destinos se entrelaçam de maneira inesperada – entre eles, bandidos, policiais e uma tragédia. Mas o brasileiro Bruno Bini se sai melhor do que o canadense Paul Haggis, que meteu os pés pelas mãos ao usar esse modelo como base para um ataque sem mira contra a intolerância racial pós 11 de setembro.  

Rodado no Mato Grosso, o filme de Bruno Bini parte de um romance entre o músico Murilo (João Vitor Silva) e Marlene (Bella Campos), a enfermeira que cuidou dele na UTI durante a pandemia. Mas, essa relação possui um obstáculo perigoso, materializado em Sapinho (Xamã), o líder do tráfico na comunidade onde Marlene mora, com quem ela é obrigada a manter um relacionamento abusivo.

A inteligente narrativa fora de ordem cronológica acompanha também outros personagens. A policial Luciana (Bárbara Colen) se dedica demais ao seu trabalho e seu ex-marido a acusa de ser a responsável pelo filho deles estar viciado em drogas. O advogado criminal Ivan (Rui Ricardo Diaz) vive um drama pessoal com o filho prematuro que luta para sobreviver numa incubadeira. Além destes, outras pessoas transitam ativamente nesse emaranhado de acontecimentos, com papeis menores.

Cinco Tipos de Medo consegue provocar o espectador em relação a reter informações e criar ansiedade revelando-as fora da cronologia. A surpresa no final também é eficiente, e deixa aquela sensação de que todas as peças se encaixam.

Alguns problemas

Mas, o filme tem alguns problemas. A fotografia noturna nas cenas externas incomoda, apresenta uma luz amarelada que lembra filmes classe C norte-americanos. E a direção insiste em materializar na tela o que é dito imediatamente antes.

Por exemplo, Murilo diz para Marlene que morreria feliz naquele momento (após ficar pela primeira vez com ela) e logo um assaltante chega apontando uma arma para a cabeça dele. Em outra cena, uma amiga religiosa aconselha Luciana a ir para a igreja porque “onde Deus não entra, o Diabo aparece”, e o ex-marido dela surge na tela.

Mais adiante, um personagem diz que vai voltar e tocar a campainha da casa, e a cena corta para uma campainha tocando em outra situação. Por fim (salvo tenha escapado algum outro trecho), a médica conta para Ivan que o choro do bebê prematuro é sinal de força, e um corte leva para a próxima cena com o pai chorando.

Além destes senões, o filme ainda se encerra com uma emocionalmente apelativa cena com esse bebê. E a apresentação dos cinco tipos de medo não sustenta uma reflexão mais profunda sobre esse tema. Acima disso, o que impacta mesmo é a impossibilidade de se quebrar o ciclo de violência contínua nesse ambiente.

Mas, esses problemas não chegam a arruinar a experiência, pois o roteiro e a montagem que embaralham os eventos garantem a força de Os Cinco Tipos de Medo. Foi o suficiente para impressionar o júri do Festival de Cinema de Gramado de 2025, que o premiou com as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Montagem (Bruno Bini), e Melhor Ator Coadjuvante (Xamã).

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Ficha técnica:

Cinco Tipos de Medo | 2025 | 109 min. | Brasil | Direção: Bruno Bini | Roteiro: Bruno Bini | Elenco: Rui Ricardo Diaz, Bárbara Colen, João Vitor Silva, Bella Campos, Xamã, Rejane Faria, Jonathan Haaggensen, Zécarlos Machado, Luana Tanaka, Luiz Bertazzo, Rodrigo Fernandes, Beto Fauth, Amauri Tangará e Eloá Pimenta.

Distribuição: Downtown Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
Bella Campos em "Cinco Tipos de Medo"

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