Crash: No Limite

Título original: Crash

Direção: Paul Haggis

Ano de lançamento: 2004

Data de estreia no Brasil: 28/10/2005

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 4/10

O tempo azeda cada vez mais a percepção sobre Crash: No Limite (2004). No seu lançamento, o longa de Paul Haggis foi um sucesso de bilheteria. E ainda recebeu três Oscars – edição (Hughes Winborne), roteiro (Paul Haggis e Bobby Moresco) e o até hoje polêmico prêmio de melhor filme. Na época, um Estados Unidos ainda sensibilizado por causa dos atentados de 11 de setembro de 2001 recebeu o filme como uma contundente mensagem contra a intolerância racial. Porém, hoje soa como um panfleto direcionado e intragável. Seu recado parece igualmente racista.

A trama se passa na Los Angeles contemporânea. Porém, os atritos interraciais são tão intensos que parecem um futuro distópico. Brancos, negros, asiáticos, latinos e persas se insultam uns aos outros. Nada de racismo sistêmico, aqui paira uma intolerância descarada. E o pior de tudo é que o filme deixa a impressão de que os preconceitos são justificados, porque os personagens agem conforme se espera deles segundo a visão estereotipada derivada dessa discriminação.

O roteiro tenta, sem sucesso, evitar a replicação dessa abordagem e ser, ele mesmo, um produto racista. Por isso, cria personagens que possuem atitudes boas e ruins. Por exemplo, o policial interpretado por Matt Dillon a todo momento vocifera insultos racistas e numa abordagem injustificada a um casal de negros, abusa sexualmente da mulher (Thandiwe Newton) ao revistá-la. Mas, em casa, ele demonstra carinho e dedicação nos cuidados ao pai doente.

Redenção para todos

Depois de demonstrar que os conflitos raciais estão no limite (como entrega o subtítulo nacional), o filme decide contentar o público na conclusão. Afinal, a história acontece na época do Natal. Assim, todos os personagens se redimem, depois de algum evento (muito forçado) que os faz refletir. O policial de Matt Dillon, por exemplo, se arrisca para salvar uma vítima em um carro prestes a pegar fogo após um acidente. Por coincidência, essa pessoa que ele salva é a personagem de Thandiwe Newton. Para piorar, uma música emotiva reforça essa intenção deliberada de tocar o público com uma lição de boa vontade e esperança.

À parte a questão racial, Crash: No Limite também chamou a atenção pelo enredo que cria inesperadas conexões entre pessoas desconhecidas. Algumas são forçadas, como a exemplificada acima, mas servem para indicar que você não deve fazer mal aos outros, porque talvez você a encontre novamente – e ela poderá até ajudar você. Mas, essa tentativa de replicar a principal característica do cinema de Robert Altman parece igualmente simplória demais. E, por isso, apresenta soluções pouco criativas que são insuficientes para salvar essa enganação que roubou o Oscar de O Segredo de Brokeback Mountain (2005), de Ang Lee.

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Ficha técnica:

Crash: No Limite | Crash | 2004 | 112 minutos | Estados Unidos, Alemanha | Direção: Paul Haggis | Roteiro: Paul Haggis, Bobby Moresco | Elenco: Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Jennifer Esposito, William Fichtner, Brendan Fraser, Terrence Howard, Ludacris, Thandiwe Newton, Michael Peña, Ryan Phillippe, Larenz Tate, Shaun Toub, Bahar Soomekh, Ashlyn Sanchez.

Distribuição: Imagem Filmes.

Onde assistir:
Jayden Lund, Jack McGee, Shaun Toub e Bahar Soomekh em "Crash - No Limite"

Outras críticas:

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