Consequências Paralelas, longa de estreia da dupla Gabriel França e Cd Vallada, tenta aproveitar a onda do multiverso do cinema fantástico recente. É uma produção pequena, filmada em um só cenário, com apenas três atores. O orçamento restritivo limita a forma de contar a narrativa, obrigando a deixar de fora a perspectiva do outro universo.
Os realizadores apostam na premissa sobre uma máquina do tempo que engatilha diferentes universos paralelos. O equipamento (uma poltrona com botões) fica na casa da recém-falecida mãe de Bruna (Carol Macedo), para onde ela vai com o namorado Pedro (João Fenerich) e o melhor amigo Max (Felipe Hintze). Após descobrir a existência da máquina, Bruna decide embarcar em uma viagem para tentar descobrir o motivo que levou sua mãe ao suicídio. Um por vez, Pedro e Max a acompanham nessa experiência.
A trama segue um mecanismo repetitivo. Quem viaja fica desacordado nesta realidade, e o filme não mostra o que ele vê do outro lado. Quem retorna pode ser a mesma pessoa que partiu consciente do que viu no futuro ou a sua versão de outro universo paralelo. Quando Pedro volta, ele quer matar Max, despertando a curiosidade sobre o motivo, que se arrasta até a parte final com uma revelação bem frustrante.
Recursos visuais repetitivos x acertos da direção
Nas primeiras viagens, uma tela que imita um vidro trincado indica a quantidade de universos alternativos envolvidos. Esse efeito, estética e narrativamente funcional, acaba reutilizado tantas vezes que perde o sentido, inclusive porque as variações de universos aumentam demais. Na parte final, essa arte entra a todo momento em que as falas tocam em alguma questão impactante, já totalmente banalizada.
Outros recursos também incomodam. A voz estilizada, que duplica a fala dos personagens, torna-a ininteligível sem causar a estranheza pretendida. A narração em off da mãe falecida de Bruna, feita por Camila Morgado, está em um tom que não combina com o suspense do filme.
Do lado positivo, destacam-se as primeiras sequências, quando os três chegam à casa isolada e fechada da mãe de Bruna. Filmada em tomada única, com a câmera se movimentando pelo espaço adequadamente iluminado por abajures com lâmpadas mornas, a cena representa uma envolvente introdução para a trama fantástica. Além disso, outro aspecto favorável é a atuação do elenco. O filme, como não sai desse ambiente único para mostrar os outros universos visitados, depende muito de uma interpretação forte dos atores, e eles não decepcionam.
Mas Consequências Paralelas é uma má experiência sufocante. O tema da moda, os universos paralelos, além de já estar à beira do esgotamento, arma uma armadilha para um filme com pequeno orçamento como este. Restrito ao espaço inicial e incapaz de mostrar o que acontece nas viagens, o longa cai em um repetitivo modus operandi que vira tédio para o espectador.
___________________________________________
Ficha técnica:
Consequências Paralelas | 2025 | 80 min. | Brasil | Direção: Gabriel França, CD Vallada | Roteiro: Gabriel França, CD Vallada | Elenco: Carol Macedo, Felipe Hintze, João Fenerich, Camila Morgado.
Distribuição: O2 Play.



