A Hipótese do Amor é um romance para adolescentes com personagens adultos. Produzido pela Amazon MGM Studios para streaming, o filme tem direção de Claire Scanlon, profissional com carreira em séries e que dirigiu outros dois longas — um para o Prime Video e outro para a Netflix. O roteiro adapta para as telas o livro homônimo de Ali Hazelwood. A trama recicla a ideia do namoro fingido entre duas pessoas que não se suportam para alcançar algum objetivo não relacionado a esse amor. O clichê até pode render uma boa comédia romântica teen, mas, com adultos, parece uma grande tolice, principalmente porque, neste caso, as motivações e os obstáculos para dar certo são de uma imaturidade sem tamanho.
Lili Reinhart interpreta Olive Smith, uma pesquisadora que acaba de conseguir uma sonhada bolsa de doutorado para seus estudos sobre câncer pancreático na Stanford University. A narração em off aqui serve de muleta para ela própria apresentar a sua personalidade. Segundo suas palavras, Olive é uma pessoa tímida e recatada, focada em sua pesquisa. Por isso, a aproximação da expansiva Anh (Rachel Marsh) cai como uma luva para que ela não se sinta sozinha. Logo, as duas se tornam melhores amigas. Ahn está se apaixonando por Jeremy, que era o crush de Olive. Para não atrapalhar o romance da amiga, Olive precisa provar que não está mais interessada nele. Então, acaba beijando o primeiro homem que encontra no corredor. E esse homem é o Dr. Adam Carlsen (vivido por Tom Bateman), o professor mais temido da universidade.
Um romance forçado e superficial
O motivo para Adam também ter interesse em fingir um namoro não é tão juvenil quanto o de Olive, mas soa ainda mais forçado. Ele precisa renovar o subsídio para a sua pesquisa, e o reitor da faculdade teme que ele receba a verba e se mude para outra instituição. Assim, se ele mostrar que tem um vínculo emocional com alguém de Stanford, isso provaria que ele não tem intenção de ir embora. Na verdade, não prova muita coisa, mas o roteiro acredita que sim. O descaso em construir razões mais convincentes para o imbróglio escancara que o público-alvo desta produção é o adolescente.
Aliás, a própria ideia de um namoro falso só poderia acontecer entre pessoas imaturas. E o próprio filme insiste, em vários momentos, em despertar o amadurecimento. A narração em primeira pessoa e as falas dos outros personagens alertam Olive para que seja adulta. Não espere, portanto, que A Hipótese do Amor contenha cenas ousadas de sexo. Até a sensualidade da transa do casal principal recebe uma ducha de água fria no comportamento exageradamente polido de Adam, que pede permissão para cada gesto na cama. De fato, Olive é quem toma a iniciativa desde o início.
A cautela de Adam se justifica porque o fantasma do assédio sexual marca presença em vários trechos do filme. No primeiro beijo que Olive dá em Adam sem o consentimento dele, ele ameaça entrar com um processo. Já na parte final, o assédio deixa de ser um fantasma e se concretiza, levando a uma separação sem uma conexão forte de causa e efeito com esse episódio.
Os protagonistas não passam ilesos por essa trama mal construída. Olive parece inexperiente demais para uma jovem que precisou crescer sozinha. E Adam está sempre com um semblante sisudo, porque aprendeu a ser impiedoso com um antigo professor que teve. Por isso, não é nada atraente e muito menos cômico, Enfim, tudo em A Hipótese do Amor parece superficial e tolo demais. Foi feito para adolescentes, mas não agradará a todos deste grupo: os mais maduros terão dificuldade de engolir esse filme.
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Ficha técnica:
A Hipótese do Amor | The Love Hypothesis | 2026 | 102 min. | Estados Unidos | Direção: Claire Scanlon | Roteiro: Sarah Rothschild | Elenco: Lili Reinhart, Tom Bateman, Rachel Marsh, Nicholas Duvernay, Aadi Maaj, Arty Froushan.
Distribuição: Amazon Prime Video.



