Cópias: De Volta à Vida parte de uma premissa instigante que o roteiro não consegue desenvolver de forma minimamente aceitável. Em sua ideia básica, um cientista tenta criar clones de sua família que acaba de morrer em um acidente. Poderia render uma trama empolgante, mas os elementos detalhados que a construiriam levam para um beco sem saída.
Keanu Reeves interpreta o protagonista William Foster, numa atuação robótica que intensifica sua tendência a falar as linhas do diálogo sem olhar para o ator com quem contracena, usando movimentos duros. Ele é o responsável pela transferência dos neurônios, enquanto seu colega Ed Whittle (vivido por Thomas Middleditch) se encarrega de clonar os corpos, num projeto bilionário de uma grande corporação para criar réplicas humanas.
A sequência inicial revela algumas influências. As telas holográficas de computador que William abre e manuseia no ar são similares às do filme Minority Report (2002), de Steven Spielberg. Já a experiência com a transferência dos neurônios de um policial morto para um androide lembra Robocop (1987), de Paul Verhoeven. Porém, esta introdução esconde que a pesquisa possui um objetivo mais ambicioso, relacionado ao desenvolvimento de clones, envolvendo a clonagem ainda não finalizada por Ed. Considerando o projeto completo, a influência se amplia para a história de Frankenstein.
Como no romance de Mary Shelley, o personagem William fica obcecado em trazer de volta à vida sua esposa Mona (papel de Alice Eve) e seus dois filhos mais velhos. E, para isso, decide pular etapas das pesquisas do projeto. Ele implora para que Ed faça a clonagem dessas três pessoas, sem se importar com as advertências de seu colega. Enquanto isso, ele tenta descobrir o que falta para finalizar a sua parte: a transferência da mente.
Ruídos na comunicação
Com intenção de gerar maior força dramática, o enredo insere elementos que criam obstáculos para a experiência do espectador. William tenta ressuscitar a esposa e dois filhos, mas ele precisa abdicar de salvar a outra filha, Zoe, porque Ed só tem três cápsulas de clonagem. Para que isso não seja um problema, ele deleta as memórias de Zoe nos neurônios dos que serão clonados. Porém, isso não resolveria o estranhamento das demais pessoas que tinham contato com a menina. O próprio filme instiga essa lacuna com a visita da professora dela, incomodada com a sua ausência nas aulas.
O roteiro está repleto desses furos, que são incômodos demais para serem ignorados. William, por exemplo, ainda mantém o laboratório no porão de sua casa depois da clonagem, como se ninguém fosse descobrí-lo. Aliás, como ele e o colega conseguiram tão facilmente levar esses equipamentos da empresa sem ninguém perceber? Entre outras coisas, revelar no final que a corporação tem intenções criminosas para poder inserir um pouco mais de ação soa um truque barato.
A direção de Jeffrey Nachmanoff, mais acostumado com episódios de séries, não acrescenta muito. Pelo menos, o filme tem uma boa produção quanto a direção de arte e efeitos especiais e visuais. De fato, tudo relacionado às pesquisas e experimentações científicas é feito com capricho. Mas, Cópias: De Volta à Vida não consegue superar os seus problemas de roteiro, e as pulgas atrás da orelha do espectador incomodam o tempo todo.
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Ficha técnica:
Cópias: De Volta à Vida | Replicas | 2018 | Reino Unido / China / Porto Rico / EUA | 107 min. | Direção: Jeffrey Nachmanoff | Roteiro: Chad St. John | Elenco: Keanu Reeves, Alice Eve, Thomas Middleditch, Emily Alyn Lind, Emjay Anthony, John Ortiz, Nyasha Hatendi.
Distribuição: Paris Filmes
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