Baseado no livro de Alice Hoffman, Da Magia à Sedução trabalha o cinema fantástico explorando vários gêneros. O tema central, a bruxaria, convida o terror sobrenatural, com direito a feitiços, possessão e exorcismo. O melodrama entra pesado no namorado abusivo de uma das protagonistas, agressão que resulta num assassinato que leva ao suspense policial. Tais incursões sombrias contrastam com a leveza do romance, aliada à narração bem-humorada e à trilha musical brincalhona de Alan Silvestri.
Essa mistura toda produz um filme esquizofrênico. A abordagem amena afugenta os fãs do terror. A bruxaria do bem atrai o público juvenil, enquanto o drama da violência contra mulheres apela para o feminino, também fisgado pela narrativa romântica.
Uma família de bruxas
As atrizes nos papeis principais já eram estrelas de primeiro escalão. Sandra Bullock faz Sally Owens, e Nicole Kidman a sua irmã Gillian. Elas fazem parte de uma longa linhagem de bruxas, e foram criadas por suas tias (vividas por Stockard Channing e Dianne Wiest) em uma pequena cidade onde a família sofre hostilizações dos moradores locais. Além do preconceito, elas temem a maldição de não poderem se apaixonar, pois o amor leva à morte do parceiro.
Gillian vai embora da cidade e escolhe ter vários amantes, sem nunca se apaixonar por nenhum deles. Enquanto isso, Sally permanece na cidade, se casa e tem duas filhas. A maldição demora, porém, chega, e acaba com a sua felicidade. Certo dia, sua irmã lhe telefona pedindo socorro. Ela é vítima das agressões de seu namorado. Ao tentar resgatá-la, exagera na dose de beladona que usa para fazê-lo dormir e acaba matando-o.
Entram alguns trechos sombrios, com as duas irmãs carregando o morto para casa na intenção de ressuscitá-lo, pois se arrependem do que fizeram. Contudo, ele volta ainda agressivo, e Sally o mata novamente. Elas o enterram no quintal da casa, mas ele retorna por causa do feitiço da ressuscitação. Para piorar a situação, um investigador, vivido por Aidan Quinn, aparece fazendo perguntas sobre esse rapaz desaparecido.
Um filme esquizofrênico
A direção é do ator Griffin Dunne, o protagonista de Depois de Horas (1985), em seu segundo longa nesta função. Dentro de um estilo clássico, ele surpreende positivamente com bastante movimentação da câmera. Em alguns trechos, para acompanhar os personagens; em outros, para imprimir a sensação do fantástico nas magias praticadas. Em um momento de tensão, ele usa bem a câmera que filma do alto de uma escada em espiral, criando um efeito vertiginoso.
Mas, num aspecto mais geral, Da Magia à Sedução se fragiliza por transitar entre vários tons, tendendo mais para um cinema fantástico sem restrições, mesmo levando para as telas violência contra mulher e possessão. A cena das mulheres varrendo o pó do defunto com vassouras depois de uma tensa sessão de exorcismo resume bem essa falta de sintonia.
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Ficha técnica:
Da Magia à Sedução | Practical Magic | 1998 | 104 min. | Estados Unidos | Direção: Griffin Dunne | Roteiro: Robin Swicord, Akiva Goldsman, Adam Brooks | Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Stockard Channing, Dianne Wiest, Aidan Quinn, Goran Višnjić, Evan Rachel Wood, Alexandra Artrip, Caprice Benedetti, Chloe Webb.
Distribuição: Warner Bros. Pictures.



