Dark Star, longa de estreia de John Carpenter, era seu projeto de faculdade na University of Southern California (USC), feito com um orçamento de apenas 60 mil dólares. Originalmente, um curta-metragem de 45 minutos, mas foi expandido para os atuais 83 minutos com investimentos adicionais do produtor Jack H. Harris.
Neste filme, Carpenter contou com a colaboração de seu amigo da USC Dan O’Bannon (1946-2009), que assina como coautor do roteiro e ainda atua no papel do astronauta Pinback. Mas, os dois se desentenderiam e não voltariam a trabalhar juntos. Assim como Carpenter, O’Bannon também teve uma carreira notória. É o co-roteirista de Alien: O 8º Passageiro (de 1978, que muitos afirmam ter sido inspirado pela ideia de uma tripulação confinada com um alienígena presente neste filme) e O Vingador do Futuro (1990), entre outros. Ele ainda dirigiu A Volta dos Mortos Vivos (1985) e O Filho das Trevas (1991).
Em Dark Star, a dupla apresenta uma paródia de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968). Respirando o ar da Nova Hollywood, o filme começa com uma crítica política logo na abertura, quando um oficial da base de controle na Terra comunica aos tripulantes da nave espacial Dark Star que não será possível enviar nenhuma ajuda para eles, mas que todos lamentam a morte de um dos astronautas. Esse discurso remete à desconfiança da população americana em relação à posição do seu governo na Guerra do Vietnã.
A missão da Dark Star, por sua vez, aponta o dedo para a política intervencionista dos Estados Unidos. Os astronautas procuram planetas considerados instáveis e lançam bombas para destruí-los, numa metáfora às invasões americanas em países subdesenvolvidos.
Desleixo x assepsia
Os quatro tripulantes que restaram na nave são cabeludos e barbudos, desleixados no trabalho que precisam fazer e até na arrumação do quarto onde dormem, repleto de fotos de mulheres peladas na parede e embalagens de comida espalhadas pelo chão. O cenário é o oposto da seriedade e da assepsia que imperam na citada ficção-científica de Stanley Kubrick. Mas, os dois filmes coincidem no perigo que a tripulação enfrenta: a inteligência artificial. No filme de Carpenter, um mau funcionamento do dispositivo aciona uma bomba que pode explodir a nave.
Entre as cenas marcantes de Dark Star, está aquela em que o personagem de Dan O’Bannon enfrenta um alienígena feito improvisadamente com uma grande bola de plástico e pés de pato de borracha. Para atacá-lo, o astronauta usa uma vassoura! Logo depois, esse personagem fica preso num poço de elevador, situação que começa muito parecida com uma famosa cena com Obi-Wan Kenobi em Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977). Tem ainda a cena final absurda do astronauta surfando rumo ao seu fim.
O filme aposta na graça em contrastar o perfeccionismo e a sisudez de 2001: Uma Odisseia no Espaço com o desleixo e a improvisação de Dark Star. É um humor com alcance curto. Por exemplo, é engraçado ver como construíram o alienígena, mas esse efeito não se prolonga enquanto acompanhamos a cena de confronto. Muitas das piadas, além disso, estão nos diálogos. E, por isso, há muita falação entre os tripulantes, principalmente para demonstrar a atitude relapsa dos cansados astronautas.
Paródias
Curiosamente, Dark Star faz com 2001: Uma Odisseia no Espaço o que S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (1987), de Mel Brooks, faz com Star Wars. São paródias de um filme importante de ficção-científica. Brooks fez isso com vários gêneros, enquanto Carpenter, em sua carreira, revisitaria gêneros em abordagens que não seriam de novo caricaturais. A comicidade foi aqui necessária por conta do orçamento reduzido, e é preciso ter isso em mente para apreciar minimamente o filme.
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Ficha técnica:
Dark Star | Dark Star | 1974 | 83 min. | Estados Unidos | Direção: John Carpenter | Roteiro: John Carpenter, Dan O’Bannon | Elenco: Brian Narelle, Dan O’Bannon, Cal Kuniholm, Dre Pahich.
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