Segundo o material de divulgação de Diamantes, este foi o filme mais visto na Itália em 2025. É compreensível que tenha sido. Além do elenco recheado de atrizes conhecidas por ali, traz temas caros ao público feminino e a narrativa se mantém quase exclusivamente na perspectiva das mulheres. Apesar disso, o diretor é um homem, Ferzan Özpetek, nascido em 1959 na Turquia e que construiu sua carreira na Itália.
Um dos poucos personagens masculinos do filme é um diretor de cinema interpretado pelo próprio Özpetek. Ele reúne o elenco, todo feminino, do seu próximo filme para um almoço. A reunião parece caótica, com todos falando ao mesmo tempo, e a câmera de Özpetek transmite essa sensação movimentando-se intensamente em planos muito curtos. O recurso funciona nessa cena de abertura, mas cansa por ser utilizado demais ao longo da trama. À tarde, começa a leitura do roteiro, e nesse momento passamos a acompanhar o filme que está dentro desse script.
O filme dentro do filme acompanha a rotina atribulada de um ateliê de figurinos comandada por duas irmãs, a fria e implacável Alberta (Luisa Ranieri) e a introspectiva Gabriella (Jasmine Trinca). A trama acontece durante dias tensos, pois Alberta se predispõe a produzir todos os figurinos de um novo filme que está prestes a começar a rodar.
Dentro da oficina, Alberta trata todas suas funcionárias com afetação e grosseria – uma versão italiana da Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada (2006). Mas, elas aceitam, porque já trabalham com a megera há anos e reconhecem a sua competência. A irmã Gabriella se incomoda, porém, não tem coragem de desafiá-la. Há um conflito entre elas que só será revelado na parte final.
Feito para agradar
O enredo não se concentra apenas nas irmãs. Apresenta também a vida das demais personagens que trabalham no ateliê. Dessa forma, pode tocar em vários temas femininos de enorme importância. Cada uma delas sofre um problema: violência dentro de casa, um filho adolescente com depressão, a necessidade de ter onde deixar um filho pequeno etc. Por outro lado, o filme mostra também as alegrias, como as provocações aos rapazes bonitos que passam pela oficina, e a própria satisfação de trabalhar fazendo o que gostam.
No entanto, pela multitude de temas e personagens, nada é aprofundado. Nem mesmo os dramas das protagonistas. Alberta se questiona se valeu a pena trocar o amor pelo trabalho, enquanto Gabriella ainda não superou um luto. Tudo se resolve na parte final, da maneira mais simples, até contrariando o pouco que foi apresentado de cada personagem durante o enredo.
Mas, o que mais incomoda são as cenas apelativas, prontas para emocionar. Nesse quesito, entram tanto aqueles trechos mal cantados com a presença de alguns rapazes como aqueles com redenções e superações. Além disso, não dá para engolir que a implacável Alberta se renda à pequena demonstração de talento natural da sobrinha de uma das funcionárias. Em instantes, essa jovem que nem pensa em trabalhar nessa área, é ouvida com total respeito. O que dizer, então, da vítima de violência que resolve sozinha seu maior tormento depois de escutar os conselhos que as colegas lhe dão? Certamente, o trecho em que ela conta o que fez para as colegas foi pensada para arrancar aplausos na sala de cinema. E a conciliação não explicada entre a atriz de teatro e a de cinema que não se bicavam?
Diamantes é um filme que se esforça tanto para agradar que acaba irritando.
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Ficha técnica:
Diamantes | Diamanti | 2024 | 135 min. | Itália | Direção: Ferzan Özpetek | Roteiro: Elisa Casseri, Carlotta Corradi, Ferzan Özpetek | Elenco: Luisa Ranieri, Jasmine Trinca, Stefano Accorsi, Luca Barbarossa, Sara Bosi, Loredana Cannata, Geppi Cucciari, Anna Ferzetti, Aurora Giovinazzo, Nicole Grimaudo, Milena Mancini, Vinicio Marchioni, Paola Minaccioni, Edoardo Purgatori, Carmine Recano, Elena Sofia Ricci, Lunetta Savino, Vanessa Scalera, Carla Signoris, Kasia Smutniak, Mara Venier, Giselda Volodi, Milena Vukotic.
Distribuição: Pandora Filmes.








