Enola Holmes 3 dá sequência às adaptações da série de livros escritos por Nancy Springer sobre a irmã de Sherlock Holmes. O primeiro filme investiu demais na aventura juvenil, desperdiçando assim o diferencial da dedução de mistérios presente na obra de Conan Doyle. O segundo longa corrigiu essa deficiência e, por isso, é melhor.
Desta vez, Philip Barantini substitui Harry Bradbeer, o diretor dos dois primeiros filmes. Barantini fez antes O Chef (2021), inteiro em plano-sequência, e O Acusado (2023), um drama político, obtendo bons resultados. Mas, desta vez, erra a mão. Usa exageradamente os flashbacks – para ilustrar o enredo, para provocar emoções, para explicar as pistas da investigação – até o ponto de tirarem a fluência da narrativa.
O recurso da quebra da quarta parede também passa dos limites. A todo momento Enola (novamente interpretada por Millie Bobby Brown) fala diretamente para o espectador, olhando para a câmera. Porém, sem conseguir atingir o objetivo de criar uma cumplicidade com o público. A narração, também muito presente, busca esse mesmo efeito, insistência que soa apelativa.
A fim de manter a atenção da audiência mais jovem, o filme possui uma edição e uma montagem agitadas. Muitas colagens de planos curtos (várias delas de flashbacks) fazem parte desse quesito, inclusive com explicações desnecessárias, que parecem desprezar a capacidade do espectador. Por outro lado, confunde-o nas cenas de ação com falhas de continuidade. A personagem de Sharon Duncan-Brewster, por exemplo, aparece montada em um cavalo dentro de um lapso de tempo curto demais em relação ao plano em que ela estava ainda no solo. Sem contar que não dá para compreender os golpes durante as lutas.
O mistério
Nesta aventura, Enola Holmes precisa decifrar o mistério do desaparecimento do seu irmão e da sua futura sogra, bem no dia do seu casamento. No processo de deduções, ela se imagina conversando com Sherlock, que o ajuda a pensar como ele pensaria. Num dos bons momentos visuais, Enola descobre a conexão entre uma peça de bordado com a roupa de uma pessoa na rua.
Contudo, Enola Holmes 3 não tem muito a oferecer. O mistério se restringe a uma busca por um tesouro perdido – nada criativo, portanto. Nem o clímax dramático funciona, pois a cerimônia de casamento, evento tão importante para a protagonista desta série de filmes, é bem rápida e quase nada emocionante. E se encerra numa cena escura, com mais uma quebra da quarta parede. Sem dúvida, é o mais fraco dos três longas.
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Ficha técnica:
Enola Holmes 3 | Enola Holmes 3 | 2026 | 105 min. | Reino Unido, Estados Unidos | Direção: Philip Barantini | Roteiro: Jack Thorne | Elenco: Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Louis Partridge, Helena Bonham Carter, Himesh Patel, Sharon Duncan-Brewster, Susan Wokoma.
Distribuição: Netflix.










