Full Moon

Gênero:

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Avaliação:

3

/5

Em Full Moon, a diretora sul-coreana Jeong Ji-hye traz os sentimentos contraditórios de uma adolescente de 16 anos que tem pais autistas. Sem levantar julgamentos, o filme revela as atitudes inconstantes da protagonista Hae-mi.

Com as amigas da escola, Hae-mi forma um grupo de dança de K-pop. Por ser a mais alta, ganha posição de destaque na coreografia. Feliz, ela convida as duas colegas mais próximas para irem à sua casa, onde estranhos barulhos no quarto ao lado chamam a atenção. Hae-mi alega que é o gato que pegaram há pouco tempo. Porém, ela e o espectador sabem que os sons são provocados pelos pais autistas da menina, fato que ela prefere esconder das amigas.

O filme não afirma que Hae-mi tem vergonha dos pais. O que a leva a escondê-los é a sua própria insegurança, pois ela parece ter receio de também apresentar um certo grau de autismo, já que não controla bem as suas emoções e adota atitudes agressivas. Isso acontece na passagem de som para a apresentação do grupo em um festival, quando ela se desestabiliza depois que sua roupa, pequena demais para o seu tamanho, descostura embaixo do braço. Esse desequilíbrio se manifesta de novo e a afasta de suas amigas.

A perda de rumo

Em paralelo, entra na trama uma vizinha, mãe de uma nova colega de classe de Hae-mi. Embora tenha um trabalho que exige pouca qualificação e pague mal, essa mãe tem a esperança de ganhar mais dinheiro como influenciadora de produtos. Por conta da proximidade, ela conhece a mãe de Hae-mi e a inclui em seus vídeos nas redes sociais, mas Hae-mi é absolutamente contra.

Até que surge uma inesperada amizade de Hae-mi com a filha dessa vizinha. O relacionamento progride muito bem e culmina em uma dança em câmera lenta, embalada por uma música terna, das duas mães dançando felizes. Esse momento emociona e marca uma mudança no filme e na protagonista. Hae-mi, que sempre foi séria por carregar desde jovem a responsabilidade de cuidar da família, descobre, finalmente, a alegria de ser criança. O filme poderia terminar aí, resolvendo o arco da personagem principal.

Os acontecimentos subsequentes fazem o longa-metragem perder o seu rumo. As velhas amigas descobrem que Hae-mi tem pais autistas e não demonstram nenhuma reação negativa em relação a isso. A antiga amizade renasce, substituindo, por consequência, a nova. Parece que o enredo volta para o mesmo lugar de antes, agora com outro obstáculo a enfrentar: a tia de Hae-mi, que assumiu o encargo de zelar pela família da irmã. Apesar de desempenhar bem o papel, ela erra ao cercear a liberdade da irmã e do cunhado por considerá-los incapazes.

Rigor clássico e liberdades formais

A direção de Jeong Ji-hye se mantém dentro do cinema clássico, mas assume algumas liberdades. Entre elas, destaca-se o plano filmado do alto, importante para revelar a arquitetura do prédio onde moram as famílias de Hae-mi e de sua vizinha. Esse visual geométrico também aparece em um enquadramento no qual Hae-mi e sua amiga ocupam, cada uma, a abertura de uma janela em uma parede repleta delas. Existe, além disso, um breve trecho filmado com um celular, caracterizando a personagem influenciadora.

Full Moon, assim, se sustenta em sua proposta naturalista e sem truques apelativos para emocionar. O longa eventualmente emociona na cena da dança, mas o que vem a seguir parece não fazer mais a narrativa se mover.

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Ficha técnica:

Full Moon | 2026 | 풀문 | Coreia do Sul | 97 min. | Direção: Jeong Ji-hye | Roteiro: Jeong Ji-hye | Elenco: Jung Min-ju, Kim Kum-soon, Soy Kim, Kang Min-hwi, Kim Tae-yeon.

Este filme está na programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

"Full Moon"

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