Godzilla

Título original: Gojira

Direção: Ishiro Honda

Ano de lançamento: 1954

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

4

/5

Com o fim da ocupação americana no Japão, o cinema nipônico pôde produzir filmes contra as bombas atômicas. Um deles se sobressaiu pela sua inventividade: Godzilla, o monstro pré-histórico adormecido no fundo do mar que é despertado pelos testes nucleares. Assim como aconteceu nos Estados Unidos, a ficção-científica serviu de meio metafórico para mensagens de paz e para extravasar o medo da Guerra Fria. O fato de Godzilla ser radioativo reforça ainda mais a crítica às bombas nucleares.

Produzido pela Toho, Godzilla popularizou a técnica de efeitos especiais chamada suitmotion, criada pelo diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya. Como o termo indica, uma pessoa veste uma roupa para dar vida ao personagem. Neste caso, o monstro gigantesco. Combinado com cenários construídos com miniaturas, o personagem dentro da fantasia parece ter proporções gigantescas. A técnica deu tão certo que retornou em outros filmes da franquia produzidos no Japão e foi usada nas séries famosas de super-heróis dos clãs Ultraman, e de outras.  

O grande ator Takashi Shimura está no elenco, como o paleontólogo Dr. Yamane, que lidera uma expedição à ilha onde surgem os primeiros indícios de Godzilla. Lá encontra uma enorme pegada radioativa e ele conecta o surgimento do monstro com os testes com bombas nucleares, contrapondo as velhas crenças tradicionais que acreditam que um ritual de dança pode afastar o perigo. Em um momento posterior, o Dr. Yamane se posicionará contra os militares que só pensam em destruir o Godzilla. Para ele, a criatura deve ser estudada.

Uma nova arma de destruição

Em uma cena de suspense intenso, Emiko, a filha do Dr. Yamane, descobre que seu amigo Dr. Serizawa é responsável por uma invenção aterrorizante. Apenas ela vê o que ele lhe mostra (o espectador não). Após longas sequências de destruição de cidades por Godzilla, que revelam o capricho na confecção das miniaturas, e inúteis ataques das forças militares, só resta uma chance para a humanidade se salvar do monstro: a invenção do Dr. Serizawa. Este, porém, se sente tão arrependido quanto Einstein porque sua invenção pode ser usada como uma arma devastadora. A invenção dele destrói o oxigênio na água, o que provoca a morte de todas as criaturas vivas na região atingida. Após muito relutar, ele concorda em usar esse conhecimento para evitar que Godzilla continue a destruir o Japão.

O diretor Ishiro Honda constrói um forte drama contemporâneo com os personagens principais. Com isso, cria um envolvimento do público, que torce por eles enquanto Godzilla espalha destruição. Durante um considerável tempo, o longa se torna um filme-catástrofe. As ruínas dos prédios e o desespero das pessoas ganham impacto com os movimentos de panorâmica da câmera que varrem toda essa paisagem. O bom gosto do diretor passa também pela transição entre o flashback que termina no aquário e começa com o rosto de Emiko. Por fim, ainda emociona com o coral de crianças que canta pela paz. E, por falar em música, aqui já surge o icônico tema de Godzilla, presente nos recentes filmes japoneses do Shin Godzilla.

Godzilla guarda uma mensagem potente, que chega ao público através de um cinema fantástico que por si só já vale o filme.

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Ficha técnica:

Godzilla | Gojira | 1954 | 96 min. | Japão | Direção: Ishiro Honda | Roteiro: Ishiro Honda, Takeo Murata | Elenco: Akira Takarada, Momoko Kochi, Akihiko Hirata, Takashi Shimura, Haruo Nakajima.

Onde assistir:
Takashi Shimura e Momoko Kochi em "Godzilla" (Toho)

Outras críticas:

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