Variações das mesmas piadas. Essa é a impressão que deixa Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba, que novamente mantém Shawn Levy na direção. A extremamente criativa ideia que deu origem ao primeiro filme, lançado em 2006, rendeu uma sequência à altura, mas não aguentou uma terceira investida.
A sequência de abertura de Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba, no entanto, parece levar a novos rumos. Lembra Indiana Jones, pois traz uma equipe de arqueólogos trabalhando numa escavação no Egito, em 1938. Sem querer, um menino descobre a tumba onde está a tábua de ouro. Esse personagem mirim é alguém que esteve no primeiro filme, mas a revelação não surpreende muito, e nem é tão relevante para a narrativa.
No presente, o enredo volta aos museus. Ahkmenrah (Rami Malek) alerta Larry Daley (Ben Stiller), de novo trabalhando no Museu de História Natural de Nova York, que a tábua de ouro está se oxidando. Esse problema causa oscilações no poder mágico do artefato, e isso provoca estragos terríveis no jantar de abertura da nova ala planetária do museu. A única pessoa que conhece o segredo para salvar a tábua é Merenkahre (Ben Kingsley), o pai de Ahkmenrah. Mas, ele está no Museu Britânico em Londres, portanto, Larry e sua turma viajam até lá.
Em Londres, eles se deparam com novas criaturas e personagens. Porém, o protagonismo local fica por conta de Sir Lancelot (Dan Stevens), que acredita que a tábua é o cobiçado Santo Graal e tenta roubá-lo de Larry e seus amigos. A trama vira uma corrida contra o tempo, pois a corrosão da tábua está aumentando e só pode ser impedida através da luz da lua.
Piadas irregulares
O filme sofre com a necessidade autoimposta de manter os antigos personagens em cena, enquanto também precisa inovar com novas atrações do museu londrino. Robin Williams, como o presidente Roosevelt, está mais presente do que no segundo filme, mas suas participações não são tão brilhantes como no primeiro. A dupla em miniatura do caubói de Owen Wilson e do romano Steve Coogan repete piadas antigas e não é muito útil na ajuda a Larry, o que deixa evidente que ela entra de forma forçada, em esquetes que lembram programas humorísticos. A cena com os dois em Pompéia confirma essa percepção.
Entre as novidades, algumas se destacam positivamente. A melhor é o Neanderthal Laa, interpretado pelo próprio Ben Stiller. Ele é um boneco de cera novo, feito a partir das feições de Larry. E, quando ganha a vida, pensa que Larry é seu pai. O humor físico e visual da interação entre essas duas versões de Ben Stiller resgata a comédia pastelão de clássicos como Os Três Patetas e O Gordo e o Magro.
A participação de Rebel Wilson como a guarda-noturna é tão boa quanto a de Jonah Hill no segundo filme. E, por falar em participações especiais, vale mencionar a aparição de Hugh Jackman no palco de um teatro invadido pelo Sir Lancelot – lembrando que o diretor Shawn Levy tinha trabalhado com o ator em seu filme Gigantes de Aço (2011) e voltaria a usá-lo em Deadpool & Wolverine (2024). Outro momento inspirado no filme é a entrada num quadro de Escher, permitindo brincadeiras com as escadas que desafiam as leis da física.
Sentimentalismo forçado
A parte final, porém, exagera na pieguice. Como a produção já sabia que este seria o desfecho da trilogia no museu, os personagens se despedem – na trama, porque a tábua não ficará no museu novaiorquino – em momentos deliberadamente construídos para provocar lágrimas nos espectadores. Mas, soa pretencioso, pois a franquia não tem essa relevância toda.
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Ficha técnica:
Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba | Night at the Museum: Secret of the Tomb | 2014 | 97 min. | Estados Unidos e Reino Unido | Direção: Shawn Levy | Roteiro: David Guion, Michael Handelman | Elenco: Ben Stiller, Robin Williams, Owen Wilson, Steve Coogan, Dan Stevens, Rebel Wilson, Ben Kingsley, Ricky Gervais, Skyler Gisondo, Rami Malek, Patrick Gallagher, Mizuo Peck, Dick Van Dyke, Mickey Rooney.
Distribuição: Fox Film do Brasil.








