O filme Jonah Hex – Caçador de Recompensas é uma tentativa frustrada de levar para as telas esse anti-herói das graphic novels da DC. Vale-se da promissora proposta de colocar um protagonista vingativo com superpoderes no ambiente do faroeste, mas, a escolha do diretor Jimmy Hayward prejudicou muito essa produção. Hayward é um especialista em animação. Ele fez Horton e o Mundo dos Quem! (2008), em codireção, e Bons de Bico (2013). Para aproveitar sua expertise, ele insere uma sequência com ilustrações para contar resumidamente o que aconteceu logo após o personagem principal testemunhar o assassinato da sua esposa e do seu filho pelo terrorista Quentin Turnbull (John Malkovich) e agora retornar da morte sedento de vingança.
Turnbull é o responsável também por deformar o rosto de Jonah Hex, interpretado por um Josh Brolin carregado de maquiagem e efeitos práticos. Mas, a ânsia pela vingança contra Turnbull é frustrada pela notícia da morte de seu algoz. Então, Jonah Hex resolve se dedicar a caçar os procurados pela lei e ganhar a recompensa. Até que o exército o procura pedindo ajuda para impedir que Turnbull exploda Washington, a capital do país, durante a comemoração do centenário da Independência Americana. Ao descobrir que seu maior inimigo está vivo, Jonah Hex parte loucamente em sua busca.
O filme mostra que Jonah Hex possui habilidades de combate sobre-humanos, adquiridos quando ele retornou do mundo dos mortos através de um ritual xamânico. Mas, além disso, ele também consegue falar com os mortos durante alguns minutos.
O filme apresenta alguns poucos momentos visualmente impressionantes. Entre eles, o corvo saindo da boca de Jonah Hex ao final do ritual indígena. A própria mudança de estado dos mortos que são ressuscitados parece bem convincente (dentro desse universo fantástico, claro).
Um filme confuso
Porém, muitos erros tornam o filme confuso. Há tanta preocupação em mostrar o rosto desfigurado do herói que não se dá a devida importância em definir quais são os seus poderes e as suas fraquezas. Leva bastante tempo até ele ressuscitar um morto, e isso só acontece mais uma vez, apesar de este representar o seu diferencial entre outros super-heróis. E não fica claro qual efeito uma lesão física causa nele. Por exemplo, um tiro pode matá-lo? A narrativa também sofre com a direção confusa. O flashback do assassinato da família de Jonah Rex reaparece várias vezes, sem necessidade. Já a luta entre Jonah Rex e Quentin Turnbull no inferno ganha um paralelo com o embate no mundo real, abrindo a dúvida se os eventos de um universo afetam o outro.
Josh Brolin interpreta com seriedade esse personagem vingativo e cruel, não afeto a gracinhas, mas humanizado o suficiente para sentir o trauma pela perda de sua família e defender a mocinha Lilah (Megan Fox), sequestrada pelo vilão. John Malkovich também adota o tom sério para construir o seu Quentin Turnbull, o que é até uma surpresa, pois geralmente ele atua nesse tipo de filme de gênero como se fosse um passatempo dentro de sua carreira extensa que inclui vários filmes por ano.
Esse tom de atuação sério não se encaixa com o estilismo moderno do diretor Jimmy Hayward, principalmente nas cenas de ação. Repletas de planos muito próximos e de curta duração, é quase impossível descobrir como foi cada golpe. Não se trata do filme inteiro, alguns trechos funcionam – entre eles, o assalto ao trem, que é o melhor momento. Mas, no geral, Jonah Hex – Caçador de Recompensas não empolga e soa confuso.
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Ficha técnica:
Jonah Hex – Caçador de Recompensas | Jonah Hex | 2010 | 81 min. | Estados Unidos | Direção: Jimmy Hayward | Roteiro: Mark Neveldine, Brian Taylor | Elenco: Josh Brolin, John Malkovich, Megan Fox, Michael Fassbender, Will Arnett, John Gallagher Jr., Tom Wopat, Michael Shannon, Wes Bentley, Julia Jones.
Distribuição: Warner Bros. Pictures.



