Morte e Vida Madalena traz as dores e as alegrias que se intercalam, e às vezes se entrelaçam, numa produção de cinema independente. Pende mais para o drama sem deixar de fora a comédia, como no inesquecível Vivendo no Abandono (Living in Oblivion, 1995), de Tom DiCillo. Dentro da produção doméstica, se aproxima de Saneamento Básico, o Filme (2007), de Jorge Furtado, nos momentos mais engraçados.
O filme de Guto Parente começa no velório do cineasta Gilmar (vivido por Carlos Francisco, em participação especial). Sua filha Madalena (Noá Bonoba) está prestes a iniciar a rodagem de um filme B de ficção-científica que ele escreveu. Num gesto maneirista (lembrando Carrie, a Estranha [1976]), a câmera acompanha o cabo de um lançador de fumaça até chegar a Davi (Marcus Curvelo), o marido dela que deverá dirigir o longa. Sem querer, o atrapalhado diretor estava pisando no acionador do equipamento!
Essa pessoa nada confiável já pisou na bola nos filmes anteriores com essa mesma equipe. E, agora, apronta de novo. Simplesmente, desaparece do set sem avisar ninguém. Nem mesmo a Madalena, que ainda por cima está grávida de oito meses. A tentativa de colocar o ator Oswaldo (Tavinho Teixeira) na função de diretor se revela uma catástrofe – levando a uma situação esdrúxula que resulta no momento mais engraçado do filme.
Como última, e única, solução possível, a própria Madalena assume a direção. Assim, além de ter que brigar com a burocracia para liberar os recursos do financiamento do projeto, que acarreta numa ameaça de greve da equipe, ela ainda tem que ser a mente criativa da produção. Sem contar que o período de gestação de seu filho já está quase no fim.
A gestação
Como em outras produções recentes do cinema brasileiro, uma música brega dos anos 1980 ganha uma ressignificação para impulsionar o clímax emocional. No caso, a equipe canta no karaokê “Porto Solidão”, de Jessé, para comemorar o fim das filmagens. Mas, como em Nosso Segredo, de Grace Passô, a história se estende além da conta. Continua no parto, com a protagonista gritando de dor numa cena que parece nunca acabar. A ênfase nesse detalhe parece ter a motivação de forçar a mensagem de que fazer filme independente é como um parto. Ou seja, possui muitas dores, mas o resultado é tão recompensador quanto uma nova vida.
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Ficha técnica:
Morte e Vida Madalena | 2025 | 85 min. | Brasil, Portugal | Direção: Guto Parente | Roteiro: Guto Parente | Elenco: Noá Bonoba, Nataly Rocha, Tavinho Teixeira, Marcus Curvelo, David Santos, Honório Félix, Carlos Francisco.
Distribuição: Embaúba Filmes.



