Musk

Título original: Musk

Direção: Alex Gibney

Ano de lançamento: 2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3

/5

O documentário Musk, de quase quatro horas de duração, é mais uma realização do cineasta Alex Gibney. Especialista no gênero, lançou filmes como Enron: Os Mais Espertos da Sala (2005), Um Táxi para a Escuridão (2007) e Steve Jobs: O Homem e a Máquina (2015).

Seu novo longa conta a vida do trilionário Elon Musk com um forte viés crítico. Ao lado de sua ascensão meteórica, como empreendedor que cresceu vendendo suas empresas por valores milionários, o filme questiona o seu comportamento.

Uma das acusações mais surpreendentes que a produção apresenta é a intenção insana de o autoproclamado gênio visionário criar um grupo de herdeiros dotados de seu DNA privilegiado para dar continuidade ao seu legado. Isso explicaria sua busca constante por mulheres que possam dar à luz um filho seu. Depois, elas assinam um contrato de confidencialidade, em troca de uma soma milionária, cedendo-lhe todos os direitos de paternidade sobre o bebê. Parece coisa de filme — A Aldeia dos Amaldiçoados (1960), de Wolf Rilla, ou A Cidade dos Amaldiçoados (1995), de John Carpenter. Mas, Alex Gibney prefere comparar a megalomania de Musk com a do protagonista de O Homem Que Fazia Milagres (1936), de Lothar Mendes.

Mais sonhador do que realizador

Em um aspecto mais tecnológico, o documentário de Gibney acusa Musk de sonhar mais do que realizar. Até mesmo os carros elétricos da Tesla possuem falhas cruciais — no caso, a bateria, problema ainda não resolvido. Piores ainda são os carros autônomos, que dispensam motoristas, pois já causaram vários acidentes. Em escala de investimento ainda maior, os foguetes de sua SpaceX não só fracassaram em vários lançamentos como visam a algo impossível, que seria a vida de humanos em Marte.

O filme coloca em dúvida as boas intenções de Musk. Para isso, revela as suas decisões desumanas quando integrou o governo Trump, que cortaram ajudas a regiões de extrema pobreza, causando a morte de milhares de crianças. Até na vida pessoal, Musk se revela um conservador atrasado, pois renegou a filha trans. Esses e outros padrões de extremista de direita são apresentados, como a negação da pandemia de covid, acenos nazistas, cortes de investimentos em pesquisas na área da saúde e descaso com a preservação do meio ambiente.

Ao adotar essas acusações sérias, o documentário revela o perigo enorme que representa essa pessoa, a mais rica do mundo. Considerando isso, as cenas com imagens realistas do retratado criadas por IA não deveriam estar no filme, pois parecem brincadeiras. Além disso, consomem tempo em um filme de quatro horas que se torna cansativo, mesmo com um intervalo de 10 minutos.

Musk está na programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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Ficha técnica:

Musk | 2026 | 235 min. | Estados Unidos | Direção: Alex Gibney | Roteiro: Alex Gibney, Michael J. Palmer | Com: Justine Musk, Errol Musk, Ashley St. Clair, Kara Swisher, Martin Eberhard, Zoë Schiffer, Geoffrey Hinton.

"Musk" (50ª Mostra)

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