Na Idade da Inocência

Poster de "Na Idade da Inocência"

Título original: L'argent de poche

Direção: François Truffaut

Ano de lançamento: 1976

Gênero: , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 9/10

Na Idade da Inocência é o filme definitivo de François Truffaut sobre crianças. No lugar de um personagem individual (como fez em Os Incompreendidos [1959] e O Garoto Selvagem [1970]), desta vez o diretor amplia para o coletivo. E ao acompanhar as crianças de Thiers, registra para sempre como era a vida nessa pequena comuna francesa no meio da década de 1970.

O recorte se concentra numa turma de meninos (as escolas não eram mistas) do ensino fundamental (entre os 10 e 13 anos). Começa no meio do ano letivo e termina na sua conclusão, com o fim das aulas e o início das férias. Muitos personagens desfilam na tela, a maior parte participa pouco, e somente dois deles possuem um arco completo.

Um deles é Julien Leclou, que entra na metade do ano em uma condição especial (sua situação de pobreza). Além de revelar seu dia a dia, com atitudes diferentes dos demais colegas, ao final ele se mostra vítima de uma triste realidade na sua misteriosa casa. O outro menino se chama Patrick e está descobrindo o seu interesse pelas mulheres.

A presença de tantos meninos com idades próximas poderia causar dificuldade para o espectador distinguir um do outro. Porém, esse problema não aparece. Primeiro, porque os garotos são extremamente expressivos, principalmente o bebê Gregoire, que é um espanto, e com características distintas, tudo muito bem capturado por Truffaut. Adicionalmente, o diretor sacrifica a verossimilhança para priorizar a clareza narrativa, ao decidir manter cada personagem mirim usando sempre uma mesma roupa, como os dois irmãos de camisa verde.

O amor pelas crianças

Vários esquetes compõem o enredo de Na Idade da Inocência. Formam, assim, um apanhado de momentos que ilustram como crianças de diversas classes sociais e idades viveram naquela época em Thiers. Momentos mágicos que emocionam e divertem, alternando várias alegrias e algumas tristezas. Apesar de ser um retrato localizado no tempo e espaço, e com muitos toques autobiográficos, a universalidade o mantém eterno. O valor da infância está expresso no título original em francês, “L’Argent de Poche”, que significa mesada, cujo valor monetário poderia ser pequeno, mas sua percepção para uma criança era imensurável.

Truffaut prova aqui que seu amor pelas crianças era tão forte quanto seu pronunciado amor romântico e pelo cinema. Assim, não há dúvida de que discurso profundo do professor, perto do final, expressa a visão do cineasta sobre a infância, sua preocupação com as crianças e a esperança que elas representam.

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Ficha técnica:

Na Idade da Inocência | L’argent de poche | 1976 | 104 min. | França | Direção: François Truffaut | Roteiro: François Truffaut, Suzanne Schiffman | Elenco: Georges Desmouceaux, Philippe Goldmann, Nicole Félix, Chantal Mercier, Jean-François Stévenin, Virginie Thévenet, Tania Torrens, Sylvie Grezel, Richard Golfier, Eva Truffaut, Bruno de Stabenrath, Pascale Bruchon.

Chantal Mercier e Georges Desmouceaux em “Na Idade da Inocência”
Chantal Mercier e Georges Desmouceaux em “Na Idade da Inocência”

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