Natal Sangrento (Silent Night, Deadly Night), de Mike P. Nelson, que estreia nos cinemas em 11 de dezembro de 2025, é uma nova versão do filme homônimo lançado em 1984 e dirigido por Charles E. Sellier Jr. . O longa original gerou quatro sequências e uma outra refilmagem (de 2012, com direção de Steven C. Miller). Porém, não o confunda com Natal Sangrento (Black Christmas, 2019), que surrupia o título desta série.
Este é o quarto longa dirigido por Mike P. Nelson, que fez o fraco Pânico na Floresta: A Fundação (Wrong Turn, 2021). Diretor limitado, Nelson compromete Natal Sangrento em alguns momentos. Na cena de matança de nazistas, por exemplo, ele recorre a planos curtíssimos, próximos demais dos personagens, que impossibilitam entender como o serial killer executa as suas vítimas. Já na sequência que acontece na delegacia, a fotografia está exageradamente escura. Neste caso, talvez a iluminação tente esconder a falta de dinheiro para construir um cenário adequado, problema que fica evidente pela ausência de policiais no recinto.
Mas, o filme tem também seus acertos. Por exemplo, a imagem levemente granulada dos eventos do passado do protagonista, quando ele, ainda criança, testemunha o assassinato dos pais por um homem vestido de Papai Noel. Passado, aliás, que retorna em recorrentes flashbacks que revelam gradativamente tudo o que aconteceu naquela noite, incluindo o momento de pura fantasia que Mike P. Nelson tem coragem de colocar na sua versão. Digo coragem porque muitos podem torcer o nariz e considerar cafona ou ultrapassado (seria mais adequado nos anos 1980, quando saiu o filme original).
A voz interior
Quando adulto, esse menino se torna um assassino em série. Durante o mês de dezembro, ele mata pelo menos uma pessoa por dia até a véspera de Natal. E ainda marca o feito com sangue em seu calendário. O toque original do filme mergulha de cabeça no fantástico. Esse serial killer, Billy Chapman (Rohan Campbell), ouve uma voz dentro de sua cabeça, que lhe ordena para matar. Na verdade, a voz escolhe as vítimas e dás as dicas com informações que só uma força sobrenatural poderia obter. A voz grave e metálica interage com Billy de uma forma sarcástica e íntima que faz lembrar do Venom falando com Eddie Brock.
A semelhança com Venom se intensifica porque Billy, instruído pela voz, só mata pessoas ruins. É legal que essa escolha se encaixa com o mito de o Papai Noel punir, não dando presentes, às crianças que se comportaram mal durante o ano. Nessa missão de justiceiro, Billy encontra pessoas terríveis na pequena cidade onde mora Pamela Sim, vivida por Ruby Modine (filha de Matthew Modine).
Slasher sem medo
Natal Sangrento traz uma profusão de violência gráfica. Se não bastassem as cenas que se passam no tempo atual do enredo, há ainda montagens com uma coletânea de assassinatos praticados por Billy – a primeira foi quando ele atacou uma de suas mães adotivas que drogava as crianças que acolheu (dentro do absurdo sistema de foster parents dos Estados Unidos). Nesse aspecto, é um competente slasher movie, porém, como terror em si não assusta, até porque adota a perspectiva do assassino. Consegue modernizar a história original para os nossos tempos, mesmo que para isso se inspire em Venom. Além disso, traz muitas referências do primeiro filme (o canivete, o nome Pamela, a morte no chifre do animal empalhado etc.) e não desaponta os fãs do gênero.
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Ficha técnica:
Natal Sangrento | Silent Night, Deadly Night | 2025 | 95 min. | Direção: Mike P. Nelson | Roteiro: Mike P. Nelson | Elenco: Rohan Campbell, Ruby Modine, David Lawrence Brown, David Tomlinson, Mark Acheson, Sharon Bajer.
Distribuição: Diamond Films.



